Parlamento iraniano apoia ministro procurado pela Argentina

Por Reza Derakhshi e Fredrik Dahl TEERÃ (Reuters) - O Parlamento iraniano manifestou na terça-feira apoio à indicação do novo ministro da Defesa, acusado pela Argentina de envolvimento no atentado de 1994 contra a entidade judaica Amia, que matou 85 pessoas.

Reuters |

O deputado Hadi Qavami interrompeu o discurso do futuro ministro Ahmad Vahidi para dizer que inicialmente se opôs à indicação, mas mudou de ideia por causa das "alegações sionistas" contra ele.

A declaração foi elogiada por outros parlamentares, que gritaram "morte a Israel", segundo a rádio pública Irib.

Pelo regimento parlamentar, dois deputados poderiam pedir a palavra para se opor à indicação do ministro, mas ninguém o fez. A votação sobre a indicação está marcada para quarta-feira.

Alguns deputados criticam o presidente conservador Mahmoud Ahmadinejad por ter indicado ministros tidos como inexperientes, como é o caso do ministro da Inteligência, Heydar Moslehi.

O resultado da votação dos nomes dos ministros é visto como um teste para Ahmadinejad, reeleito na polêmica votação de junho, que desencadeou acusações de fraude e manifestações por parte da oposição, mergulhando o Irã na sua pior crise interna desde a Revolução Islâmica de 1979.

A Argentina neste mês condenou a indicação de Vahidi, oficial da Guarda Revolucionária que havia sido vice-ministro da Defesa no mandato anterior de Ahmadinejad. Buenos Aires qualificou a nomeação como uma "afronta às vítimas" do atentado de 15 anos atrás.

O governo argentino acusa formalmente o Irã de ter tramado o ataque, e por isso pede a prisão de altos funcionários do governo islâmico. O Irã nega repetidamente qualquer envolvimento, e disse na semana passada que a Argentina estava interferindo em seus assuntos internos.

Em seu discurso no Parlamento, Vahidi prometeu reforçar as capacidades defensivas do Irã, mas afirmou também que as forças locais são "suficientemente fortes para proteger o país e a revolução contra as ameaças dos inimigos".

O Irã diz que as potências ocidentais, especialmente EUA e Grã-Bretanha, estimularam as manifestações pós-eleitorais. Londres e Washington rejeitam tais acusações.

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