Parlamento indiano debate exigências do ativista anticorrupção

Anna Hazare pressiona congresso com greve de fome há 11 dias. Ele exige emenda à lei anticorrupção

iG São Paulo |

O Parlamento indiano iniciou neste sábado um debate especial sobre as exigências do ativista Anna Hazare, de 74 anos, para colocar fim à greve de fome que mantém há 11 dias, período em que já perdeu sete quilos. A principal exigência de Hazare é uma emenda à lei anticorrupção, conhecida como Lokpal, para que abranja todas as camadas da administração pública, seja aplicada no conjunto do país e inclua uma carta de defesa dos direitos cidadãos.

Após as fortes reservas, o Partido do Congresso (governista) demonstrou-se nas últimas horas disposto a aceitar as condições, para colocar fim à crise política gerada pelo protesto do ativista, que conta com forte apoio popular.

EFE
Estudantes apóiam Anna Hazare com cartazes
Críticos da proposta de Hazare dizem que garantir tais poderes ao órgão pode ser inconstitucional e alegam que os principais líderes na maioria das democracias no mundo têm imunidade contra tais investigações.

O debate parlamentar poderia estender-se durante horas antes de um possível anúncio da aceitação das exigências de Hazare, que em carta na sexta-feira (26) ao primeiro-ministro, Manmohan Singh, prometeu concluir o protesto se suas condições fossem aceitas. A greve de fome que Anna Hazare mantém em uma praça central de Nova Délhi, onde estão concentrados milhares de seguidores, desencadeou a maior mobilização popular contra a corrupção desde a independência da Índia em 1947.

Jejum
Hazare voltou a rejeitar na quarta-feira (24) qualquer concessão ao governo em sua cruzada contra a corrupção na Índia e prometeu manter a greve de fome, mesmo que ela lhe custe a vida.

O ativista de 74 anos já apresenta problemas de saúde e continua reunindo milhares de simpatizantes em Nova Délhi. O premiê indiano pediu, sem sucesso, que o ativista aceite pelo menos alimentação intravenosa. “Só perdi seis quilogramas e parte do meu rim está afetado, mas isso não é nada preocupante”, disse Hazare, que se inspira no ativista Mahatma Gandhi. “Até que o governo aceite todas as condições, não recuarei. Mesmo que para isso eu tenha de morrer”.

A campanha de Hazare mobiliza principalmente a classe média emergente, cansada da rotina de subornos no país asiático. Milhares de pessoas já saíram às ruas em apoio ao ativista, no que podem ser considerados os mais intensos protestos na Índia desde a década de 70.

(Com informações da EFE, AP e Reuters)

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