Estrasburgo (França), 24 abr (EFE).- O Parlamento Europeu rejeitou hoje por uma estreita margem de votos o pedido de inclusão do Movimento Revolucionário Túpac Amaru (MRTA) na sua relação de organizações terroristas.

O pedido constava em uma emenda ao relatório sobre a próxima cúpula União Européia-América Latina e Caribe, que será realizada em Lima, e era assinado pelos eurodeputados José Ignacio Salafranca e Fernando Fernández, ambos do Partido Popular Europeu.

Seu objetivo era solicitar que o Conselho da União Européia (UE) estudasse "a possibilidade e a viabilidade de incluir o MRTA na lista de organizações terroristas da UE".

O pedido foi rejeitado no plenário da Eurocâmara por 271 votos a favor, 275 contra e 16 abstenções.

A emenda, que respondia aos recentes pedidos do Governo peruano, contava com o apoio do conservador Partido Popular Europeu, a maior bancada do plenário - 288 dos 785 assentos -, mas não tem maioria suficiente para impor sua posição.

O Grupo Socialista - segunda bancada, com 215 deputados - optou na última terça por se opor à proposta, mas sua delegação espanhola discordou da decisão e tentou, nas últimas horas, convencer seus companheiros a votarem a favor.

"O Peru é um país democrático onde não há espaço para uma organização que se vale das armas para controlar o sistema", declarou ontem à Agência Efe o socialista espanhol Emilio Menéndez del Valle.

O pedido também enfrentava rejeição de grupos minoritários, como Os Verdes e a Esquerda Unitária Européia.

Este último temia que a inclusão do MRTA na relação de terroristas servisse de álibi para o ex-presidente peruano Alberto Fujimori em seu processo judicial, segundo o eurodeputado da Esquerda Unitária Européia, Willy Meyer.

O MRTA realizou sua última grande ação em 1997, no seqüestro na residência do embaixador japonês em Lima, concluído violentamente após uma polêmica intervenção ordenada por Fujimori.

No entanto, o atual Governo peruano afirma que a organização está tentando voltar à atuação e pediu que a UE incluísse a MRTA em sua lista de terroristas, criada após o 11 de Setembro de 2001.

O pedido do Parlamento Europeu não teve caráter vinculativo, já que a gestão da lista de terroristas é competência exclusiva do Conselho da UE (Governos nacionais). EFE adp/wr/fal

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