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Parlamento Europeu homenageia ativista chinês impedido de receber prêmio

Estrasburgo (França), 17 dez (EFE) - O Parlamento Europeu (PE) homenageou o ativista chinês Hu Jia, que não pôde receber hoje o Prêmio Sakharov à liberdade de consciência, já que está preso em seu país.

EFE |

Hu, um advogado de 35 anos especializado em causas ambientais e de defesa dos doentes de aids, foi detido em 27 de dezembro de 2007 por "incitar a subversão contra o Estado" e condenado, meses depois, a três anos e meio de prisão.

O presidente do PE, Hans-Gert Pöttering, lembrou que outros agraciados, como a dissidente birmanesa Aung San Suu Kyi em 1990 ou as Damas de Branco cubanas em 2005, não puderam receber o prêmio nem discursar no plenário do Parlamento, como é tradição.

A sessão solene no plenário do PE contou com a presença de antigos agraciados, diante dos quais Pöttering ressaltou que o PE homenageia "pessoas particularmente corajosas" que lutaram com coragem e paixão pelos direitos humanos.

Também denunciou o "silêncio" que se tenta impor a partir de alguns Governos aos que tentam exercer a livre expressão, e afirmou que Hu "representa todos os que são reduzidos ao silêncio na China e no Tibete".

"Tenho certeza de que, algum dia, Hu Jia poderá entrar no plenário" para se dirigir ao Parlamento Europeu, acrescentou o presidente da Câmara.

Pöttering fez uma menção especial para o caso das Damas de Branco, que também não foram autorizadas a assistir à sessão de hoje como antigas agraciadas, o que "mostra claramente em quais condições as forças democráticas em Cuba são obrigadas a trabalhar".

Além disso, esta situação "não responde ao espírito de cooperação que a União Européia (UE) quer lançar com Cuba", acrescentou o presidente do PE.

Em vez de Hu, o plenário do PE recebeu uma mensagem de vídeo enviada da China pela esposa do premiado, Zeng Jinyan, na qual ela destacou que o marido sabe que venceu o prêmio, porque foi informado por funcionários policiais, mas que foram proibidos de falar sobre a questão na última vez em que puderam se reunir.

Ela afirmou que Hu "pagou um preço caro demais" por suas atividades, e que o mesmo ocorre com os outros presos de consciência na China e com suas famílias.

Por isso, Zeng disse que usará os 50 mil euros do prêmio como ponto de partida para estabelecer um fundo para ajudar as famílias dos ativistas presos na China.

Apesar de tudo, Hu "continua sendo muito otimista e diz que a China passa pelo período mais aberto de sua História", explicou sua esposa, que acrescentou que ele considera o prêmio "importante" para os doentes de aids e espera "que os eventos lhe dêem a razão".

A China considera Hu um "criminoso" condenado por "incitar a subversão contra o Estado", mas Pöttering insistiu hoje em que a UE quer "ter boas relações" com o país.

O porta-voz do Ministério de Assuntos Exteriores chinês, Liu Jianchao, afirmou em entrevista coletiva na semana passada que a concessão do Prêmio Sakharov a Hu era "uma ironia" e poderia acrescentar mais tensão às relações entre Pequim e UE. EFE rcf/db

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