Parlamento europeu: direita oferece aliança a liberais e socialistas

No dia seguinte à sua vitória eleitoral, os conservadores do Partido Popular Europeu (PPE) ofereceram nesta segunda-feira a possibilidade de uma grande aliança no Parlamento Europeu aos liberais e aos socialistas, porque eles continuam longe da maioria absoluta.

AFP |

"É preciso uma maioria no Parlamento europeu, e apesar de nosso sucesso, nenhum grupo político tem maioria absoluta, então precisamos negociar", admitiu nesta segunda-feira o belga Wilfried Martens, presidente do PPE, em entrevista à imprensa em Bruxelas.

Ele evocou a possibilidade de uma "cooperação" entre os três grandes grupos políticos na origem da construção europeia: "os democratas cristãos do PPE, os social democratas e os liberais".

"Com a subida dos populistas e dos eurocéticos", precisamos mais do que nunca realizar esta cooperação", disse.

Diante desta mão estendida, Graham Watson, líder dos liberais, que ficaram em terceiro lugar no domingo, não disse não, mas parece determinado a impor condições.

"Vistos os resultados das eleições, a conclusão mais lógica é a de encontrar uma aliança de centro direita para administrar este Parlamento, mas o que eu quero é uma verdadeira aliança política, ideológica, mais do que um arranjo técnico como tivemos no passado", declarou Watson aos jornalistas.

Ele também falou em uma coalizão de três partidos, ligando o PPE aos liberais e ao social democratas. Liberais e conservadores do PPE teriam juntos 343 cadeiras, enquanto a maioria absoluta é de 369.

Mas para ligá-los, a direita talvez tenha de dividir com eles alguns postos chave.

Se os liberais os ajudarem a aprovar a recondução de José Manuel Barroso à Comissão Europeia, como Watson considerou possível, então eles estariam mais bem preparados a não insistir para ter o posto de presidente do Parlamento europeu", que tem um mandato de dois anos e meio, renovável, e de o deixar aos liberais e aos socialistas", declarou Watson.

O próprio Watson vai fazer campanha para obter este cargo, indicou. No PPE, dois nomes foram antecipados, o do ex-primeiro-ministro polonês Jerzy Buzek e do italiano Mario Mauro, um protegido do chefe de Governo italiano Silvio Berlusconi.

A presidência do Parlamento é alvo de negociações entre os partidos. A presidência do Parlamento atual era dividida entre o espanhol Josep Borrell do PSE e o alemão Hans Gert Pöttering do PPE. A do Parlamento anterior entre a francesa Nicole Fontaine do PPE e o liberal irlandês Pat Cox.

Watson precisou que vai discutir as condições para uma aliança com o líder do PPE no Parlamento europeu, Joseph Daul, a partir da tarde desta segunda-feira. Mas ele também indicou que entraria em contato com todas as forças políticas do Parlamento - exceto a extrema direita - e não excluiria nada.

Daul parece descartar qualquer aliança com os Verdes de Daniel Cohn-Bendit.

Segundo os resultados provisórios, o PPE venceu as eleições com 263 cadeiras, contra 163 dos social democratas do PSE, 80 dos liberais e 52 dos Verdes (de um total de 736 cadeiras).

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