Bruxelas, 12 mar (EFE).- O Parlamento Europeu aprovou hoje uma série de recomendações para as relações entre o Brasil e a União Europeia (UE) como parceiros estratégicos, nas quais reconhecem o peso do país em nível regional e mundial, e sua liderança na produção de biocombustível e apoio às energias verdes.

O plenário do Parlamento aprovou com 472 votos a favor, 40 contra e 60 abstenções um relatório da socialista grega Maria Eleni Koppa, no qual os eurodeputados reconhecem que o Brasil se transformou em um país cada vez mais importante em escala regional mundial e que é um interlocutor-chave para a UE.

Além disso, destacaram que são parceiros que compartilham a "mesma visão de mundo" e podem promover "mudanças e soluções em escala global".

Em 2007, o Brasil e a UE concluíram um acordo estratégico após realizar uma primeira cúpula bilateral, baseada em seus "estreitos laços históricos, culturais e econômicos", lembrou o PE, e em dezembro do ano passado adotaram um plano de ação conjunto para desenvolver a cooperação durante os próximos três anos.

Os eurodeputados propõem promover estratégias comuns para colaborar em desafios globais como a paz e a segurança, a democracia e os direitos humanos, a mudança climática, a crise financeira, a diversidade biológica, a segurança energética, o desenvolvimento sustentável, e a luta contra a pobreza e a exclusão.

Segundo o Parlamento Europeu, a forma "mais eficaz" de abordar as questões de caráter mundial é um "multilateralismo efetivo" centrado nas Nações Unidas, e através de fóruns como a Organização Mundial do Comércio (OMC) e o Grupo dos Vinte (G20, os países ricos e os principais emergentes).

A Eurocâmara defende também consolidar o sistema comercial multilateral em escala da OMC e que "se evite o protecionismo".

Também recomenda aos países europeus que essa associação estratégica confira um "novo impulso" ao processo de associação entre a UE e o Mercosul, atualmente estagnado.

Esta negociação, que foi aberta em 1999 com a ideia de criar a maior área de livre-comércio do mundo, pouco avançou e está à espera da finalização prévia da Ronda do Desenvolvimento de Doha da OMC.

O texto destaca também os esforços do Brasil em alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, e reconhece as conquistas registradas em âmbitos como a redução da pobreza e da desnutrição infantil, e a educação básica.

Além disso, afirma que, apesar do desenvolvimento econômico e da acumulação de riqueza, ainda existe no Brasil um elevado número de pessoas que vivem na pobreza.

Por isso, ressalta a necessidade de apoiar o Governo brasileiro para continuar o combate contra a pobreza nas regiões e as camadas sociais em pior situação, dado que "65% dos brasileiros mais pobres são negros ou de origem étnica mista, enquanto 86% dos mais favorecidos são brancos".

Além disso, os eurodeputados defendem estabelecer um "amplo diálogo" sobre migração que dê prioridade às questões da imigração legal, assim como à proteção dos direitos humanos dos trabalhadores imigrantes e as medidas destinadas a facilitar as remessas de dinheiro.

Sobre a mudança climática, os parlamentares pedem para avançar os debates a fim de conseguir um "acordo global e completo" em 2009, preservar a diversidade biológica e realizar uma gestão sustentável das florestas, incluindo a amazônica.

Também pedem que as duas partes desenvolvam tecnologias energéticas com baixas emissões de carbono e garantam a produção e o uso sustentável de energias renováveis, "incluindo os combustíveis biológicos sustentáveis que não afetam a produção de plantas comestíveis nem a biodiversidade". EFE rja/an

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