Parlamento elege Yukio Hatoyama primeiro-ministro do Japão

Tóquio - A Câmara Baixa japonesa elegeu hoje o presidente do Partido Democrático, Yukio Hatoyama, de 62 anos, primeiro-ministro do Japão para um mandato de quatro anos.

EFE |

Hatoyama, que substitui a Taro Aso, será o primeiro chefe de Governo japonês que não pertence ao Partido Liberal-Democrata (PLD) desde 1955, a exceção de um breve período em meados dos anos 90.

História

Hatoyama, o primeiro-ministro que promove a mudança para o Japão, é um político de quarta geração, prudente e de pouca experiência, cuja sorte o situou à frente do Partido Democrático (PD) de maneira quase fortuita.

Aos 62 anos, o acadêmico Hatoyama foi eleito em maio passado para suceder como presidente do PD ao poderoso Ichiro Ozawa, de quem era sua mão direita até que um escândalo de financiamento ilegal o obrigou a renunciar.

Reuters
Novo primeiro-ministro do Japão
O novo primeiro-ministro, que defende o princípio de estender a "fraternidade" no mundo, apostou em sua campanha por modificar a dependente relação do Japão com os Estados Unidos e suavizar o capitalismo japonês, mas muitas perguntas acompanham suas até agora poucas declarações.

Seus desejos são repensar a posição do Japão no mundo, perante as expectativas de que os EUA percam influência, e terminar com a enraizada burocracia japonesa, desafios que assume sem experiência prévia em cargos públicos.

Defensor de uma "soberania popular verdadeira, igualdade de oportunidades e uma política mais justa e próxima", Hatoyama terá que demonstrar agora se seu Governo é capaz de cumprir promessas de mudança para uma sociedade ancorada na tradição.

Este admirador de John F. Kennedy desfraldou o princípio de "revolução fraternal" ao propor a criação de uma comunidade que integre aos países do Leste da Ásia, para os que advoga inclusive por uma moeda única.

Entre suas promessas destaca a intenção de acabar com a política hereditária, comum no Japão e da qual ele mesmo faz parte.

O bisavô de Hatoyama foi presidente da Câmara Baixa; seu avô, Ichiro Hotayama, foi primeiro-ministro desde dezembro de 1954 até o mesmo mês de 1956, seu pai foi ministro de Assuntos Exteriores e seu irmão foi titular de Justiça e Interior.

Também é neto, por parte de mãe, do fundador do fabricante de pneus Bridgestone, Yukio Hatoyama é também milionário, com fortuna estimada em dez milhões de euros.

É casado desde 1975 com Miyuki, uma ex-dançarina e atriz de 66 anos que assegura haver conhecido em outra vida a Tom Cruise e viajado ao planeta Vênus, que descreveu como "muito verde".

Yukio Hatoyama é engenheiro de profissão, se graduou pela Universidade de Standford (EUA) e exerceu como professor antes de se voltar a política, pelas mãos do Partido Liberal-Democrata (PLD).

Após pertencer ao PLD, ao que no passado 30 de agosto lhe arrebatou o poder, em 1993 se uniu à cisão Sakigake (Pioneiros) e três anos depois fundou junto a um companheiro o atual Partido Democrático (Minshuto).

Embora nascido em Tóquio, Hatoyama se apresentou às eleições de 1986 por uma circunscrição de Hokkaido (norte do Japão), que representava o deputado e amigo de seu pai Saburo Saegusa.

Na legislatura que começa hoje, oitava para Hatoyama como membro da Câmara Baixa, o primeiro-ministro terá que enfrentar na oposição ao próprio irmão Kunio, deputado do PLD por uma circunscrição do sul do país.

Sobre Hatoyama, conhecido em seus anos de estudante por sua timidez, surgiram perguntas sobre sua capacidade de liderança num país onde os últimos três primeiros-ministros (Shinzo Abe, Yasuo Fukuda e Taro Aso) se caracterizaram pela falta de carisma, além de descender de outros chefes de Governo.

Mas, ao contrário de outros líderes japoneses, Hatoyama fala inglês fluente, já que viveu durante cinco anos nos Estados Unidos.

No aspecto das curiosidades, o homem que dirigirá o Governo do Japão é fã de karaokês, gravou um disco com um de seus irmãos e gosta de ver futebol americano, tênis e beisebol pela televisão.

Seu único filho, Kiichiro Hatoyama, de 33 anos, estuda engenharia em Moscou e não descarta, desde a vitória de seu pai no pleito, dedicar-se também à política.

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