O líder do Congresso Nacional Africano (CNA), o popular e controvertido Jacob Zuma, foi eleito nesta quarta-feira pelo Parlamento à presidência da África do Sul, e conclamou os funcionários a trabalhar duro para melhorar os serviços públicos.

Jacob Zuma, 67 anos, é o quarto presidente da África do Sul pós-apartheid, um cargo sempre ocupado pelo CNA desde 1994.

Esta eleição era mera formalidade, já que o partido de Zuma tem a maioria absoluta no Parlamento oriundo das legislativas de 22 de abril. Nesta quarta-feira, o líder do CNA obteve 277 votos de um total de 327, ou seja, 13 a mais que o número de deputados de seu partido.

Assim que sua eleição foi confirmada pelo Parlamento, Zuma conclamou os funcionários a trabalhar "duro". "As coisas não podem continuar como estão. Temos que fazer muito mais para melhorar a África do Sul", a maior economia do continente africano, clamou.

A decrepitude dos serviços públicos e a luta contra a pobreza de um modo geral estiveram no coração da campanha eleitoral. Mais de 40% da população sobrevive com menos de dois dólares por dia, e os pobres sofrem com a péssima qualidade dos serviços públicos, principalmente das escolas, dos hospitais, da polícia e dos transportes.

"Jacob Zuma é um líder competente que simboliza nosso combate contínuo contra o que a humanidade tem de pior para oferecer e encarna a esperança de que nós, como nação, consigamos superar todos os desafios", declarou Winnie Madikizela Mandela, a ex-mulher de Nelson Mandela, o primeiro presidente negro da África do Sul.

A eleição de Zuma significa a volta por cima de um homem considerado politicamente acabado depois de seu afastamento da vice-presidência, em 2005.

Nesta quarta-feira, ele voltou ao Parlamento de cabeça erguida, quatro anos depois de ter sido demitido pelo presidente Thabo Mbeki após a condenação por corrupção de seu conselheiro financeiro Shabir Shaik.

Ele também sobreviveu a um processo por estupro e a anos de investigação por diversos atos de corrupção, uma acusação abandonada pouco antes das eleições gerais. A maior força deste exímio orador, autoditata e polígamo, é seu indefectível apoio popular.

Eleito para um mandato de cinco anos, Zuma deve prestar juramento sábado em Pretoria, e anunciar já no dia seguinte a composição de seu governo.

Muitos problemas aguardam o novo presidente. A África do Sul deve conhecer sua primeira recessão econômica em 17 anos, e 208.000 sul-africanos perderam seu emprego no primeiro trimestre deste ano.

Apoiado pelos sindicatos e pelo Partido Comunista, Zuma deve conduzir uma política mais à esquerda que as de Mbeki e de seu substituto, Kgalema Motlanthe.

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