Parlamento do Mercosul aposta em promover educação para conter crise

Montevidéu, 4 nov (EFE) - Reunido em sua 14ª sessão plenária, o Parlamento do Mercosul (Parlasul) apostou hoje em uma maior integração regional e em um impulso ao desenvolvimento da educação como meios de fazer frente à atual crise financeira internacional. No segundo e último dia de reuniões em Montevidéu, os parlamentares do Parlasul estudaram o novo panorama econômico que pode surgir do desastre financeiro e as possíveis saídas para essa situação. Em comunicado emitido ao final dos dois dias de debates, os parlamentares de Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai e os representantes da Venezuela, que está em processo de adesão ao bloco, destacaram que, sozinhos, os Estados não terão forças para solucionar a atual crise econômica. O ministro da Educação, Fernando Haddad, disse que o ensino é a solução para a atual crise financeira e para o avanço na integração regional, a outra chave para que as economias sul-americanas não sejam devastadas. Haddad reconheceu as dificuldades trazidas por esta dupla aposta, mas lembrou que mesmo a União Européia (UE) chegou à moeda única antes de um sistema universitário único. Ele insistiu em que a resposta à atual crise, pelo menos no âmbito do Mercosul, deve passar pela educação. O retorno desse investimento é muito alto na região e cada ano de escolaridade ainda tem um impacto elevado na renda do cidadão, acrescentou.

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Entre os projetos em andamento para aumentar a integração educacional, citou a criação da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila) na região da tríplice fronteira entre Brasil, Argentina e Paraguai.

Os parlamentares assinaram uma declaração sobre a crise impulsionada pelo senador Aloizio Mercadante (PT-SP), que considerou que a fase mais grave desta conjunção negativa "parece já estar sendo superada", mas alertou para que há "uma segunda etapa" que afeta a economia real dos países.

"Não há, na história, nenhum momento no qual a distância entre os países ricos e os países pobres tenha sido tão reduzida. Não por um enriquecimento dos países pobres, mas por um empobrecimento dos países ricos. Esta crise dará lugar a um novo cenário econômico", disse Mercadante.

Ele rejeitou o protecionismo como resposta, pois na própria Grande Depressão de 1929 essa atuação "agravou a crise", e disse que "o integracionismo deve ser a resposta", com uma coordenação macroeconômica.

Para o senador paraguaio Modesto Guggiari, a crise poderia ser muito grave para os países menores e "a resposta é a integração, a ousadia e a audácia de pensar o novo".

A declaração apresentada por Mercadante incluiu a criação de um Grupo de Monitoramento da Crise, a adoção de políticas que mantenham a liquidez necessária para as linhas de crédito e a disponibilidade com urgência de recursos aos Estados-membros.

Além disso, o documento aposta no estímulo do comércio dentro do bloco regional, no desbloqueio da Rodada de Doha, na harmonização das políticas macroeconômicas e no diálogo entre empresários e trabalhadores para combater o desemprego.EFE jas/db

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