Parlamento do Iraque aprova permanência de tropas americanas

Ali Yaburi. Bagdá, 27 nov (EFE).- Em uma votação importantíssima para o futuro do país, o Parlamento do Iraque aprovou hoje um acordo com os Estados Unidos que permitirá aos soldados americanos permanecer em território iraquiano até o final de 2011.

EFE |

O chamado Acordo Sobre o Status das Forças Militares estrangeiras recebeu voto favorável de 149 legisladores, dos 198 que estiveram presentes na sessão de hoje, que aconteceu em meio a gritos e queixas procedentes da oposição.

As tropas americanas, compostas por 150 mil soldados, estão presentes no Iraque em virtude de um mandado concedido pelo Conselho de Segurança da ONU que vence em 31 de dezembro.

Se o Parlamento não aprovasse o pacto, existia a possibilidade de prorrogação do mandato.

O convênio estava sendo negociado por representantes dos Governos do Iraque e dos EUA desde março e em meio a freqüentes advertências da oposição iraquiana, preocupada com o fato de o pacto lesar a soberania do Iraque.

O acordo já tinha recebido sinal verde do Governo, e falta apenas o trâmite do pacto pelo Conselho Presidencial (o presidente e dois vice-presidentes), mas tudo parece indicar que também será ratificado.

O Parlamento também aprovou, com 144 votos, outro convênio que estava na pauta de votação de hoje, o Acordo Marco Estratégico sobre as Relações entre EUA e Iraque, documento com funções mais de longo prazo e também de alta relevância para a política externa iraquiana.

Como se esperava, o grupo de parlamentares fiel ao líder xiita Moqtada al-Sadr votou contra o acordo.

Após o início da votação, o grupo chamou o acordo de "ilegal e inconstitucional" e disse que não é vinculativo para quem não ratificou.

"O acordo foi aprovado contradizendo as leis constitucionais", afirmou um dos dirigentes desse grupo aos jornalistas e apoiado por vários legisladores, alguns deles mulheres que vestiam o véu tradicional xiita.

Os partidários de Sadr, que até maio mantinha um Exército privado integrado por milhares de homens que lutavam contra a ocupação americana, disseram que hoje "começa a era da traição".

Sadr, que se suspeita que esteja no Irã, havia ameaçado pedir a seus partidários que resistissem à presença militar americana se o pacto fosse aprovado, e tinha convocado para as últimas semanas grandes manifestações contra o convênio.

Segundo seus legisladores, o convênio ratificado hoje pelo Parlamento põe em perigo o povo iraquiano, seus direitos e sua independência como nação, por causa da presença das "tropas de ocupação".

Por enquanto, este bloco político da oposição, que tem 30 cadeiras no Parlamento iraquiano, anunciou que recorrerá aos tribunais para tentar impedir que entre o pacto em vigor.

A sessão plenária começou sem uma idéia clara do que aconteceria, com temores de que o convênio não fosse aprovado hoje e que o Legislativo iniciasse um recesso de três semanas sem poder fechar o tema.

O texto aprovado inclui a convocação de um plebiscito, em 30 de julho de 2009, no qual os iraquianos se pronunciarão sobre o pacto levando em consideração o grau de cumprimento dos EUA.

Embora o convênio fixe a retirada definitiva das tropas dos EUA antes do final de 2011, também estabelece que os soldados americanos se retirem das cidades antes do final do primeiro semestre de 2009.

Nesse plebiscito, será analisado se este último compromisso foi respeitado.

Entre os grupos ausentes na sessão de hoje está o Fadillah (Partido da Virtude), que conta com 15 cadeiras.

O deputado do Fadillah Hassan al Shambri declarou aos jornalistas que os parlamentares de seu partido tinham decidido não aparecer no plenário "porque não há garantias suficientes sobre a posição americana".EFE am/wr/jp

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG