Parlamento do Irã deve rejeitar alguns ministros de Ahmadinejad

Por Fredrik Dahl e Hossein Jaseb TEERÃ (Reuters) - O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, terá de enfrentar uma dura batalha para obter o aval do Parlamento a seu novo gabinete depois que os deputados sinalizaram que provavelmente vão rejeitar vários dos nomes propostos.

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"As pessoas nomeadas pelo presidente para cargos no governo têm de possuir conhecimento e experiência suficientes, do contrário muita energia do país seria desperdiçada," disse nesta quinta-feira o presidente do Parlamento, Ali Larijani, segundo informou a TV estatal IRIB.

O vice-presidente da casa, Mohammad Reza Bahonar, um conservador pragmático que já criticou Ahmadinejad antes, indicou que até cinco dos 21 nomes do gabinete correm o risco de serem rejeitados. Ele não mencionou quais seriam.

O resultado da votação será um teste da firmeza com que Ahmadinejad controla o poder após sua controversa reeleição em junho, que desencadeou os piores distúrbios no Irã desde a Revolução Islâmica de 1979 e expôs as divisões na elite governante. Pelo menos 26 pessoas foram mortas durante os protestos de rua no país.

As indicações incluem a do atual ministro do Comércio, Massoud Mirkazemi, para a pasta do Petróleo, uma posição muito importante no país, já que as vendas do produto respondem pela maior parte do orçamento do Estado. Mirkazemi é tido como aliado de Ahmadinejad, mas tem pouco conhecimento sobre a indústria petrolífera.

Em 2005 o presidente não conseguiu obter a aprovação para as suas três primeiras escolhas para o Ministério do Petróleo por causa da oposição do Parlamento.

Vários dos nomes escolhidos pelo presidente --Mirkazemi e os ministros do Interior e da Inteligência-- passaram pela Guarda Revolucionária, a força de elite no país, como também o próprio Ahmadinejad. Considerada ferozmente leal aos valores da República Islâmica, a Guarda parece ter ganho mais influência depois que ele assumiu o primeiro mandato presidencial, quatro anos atrás.

A analista Gala Riani, da IHS Global Insight, em Londres, disse que Ahmadinejad apresentou um gabinete que "consiste amplamente de legalistas com um passado no setor de segurança" e que sua legitimidade será prejudicada se alguns deles forem recusados pelo Parlamento.

O Legislativo é dominado por conservadores, mas alguns dos partidários de Ahmadinejad o abandonaram depois da eleição, mesmo ele tendo o apoio do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, autoridade máxima do Irã. Os moderados consideram ilegítimo o governo de Ahmadinejad.

Se um nome indicado é rejeitado, o presidente tem de apresentar outro. Segundo um porta-voz parlamentar citado pelo jornal Kayhan, a votação começaria no dia 30 de agosto.

Entre os candidatos estão o ministro de Relações Exteriores, Manouchehr Mottaki, que já ocupa o cargo, e três mulheres para as pastas de Saúde, Bem-Estar Social e Educação. Seria a primeira vez que uma mulher se torna ministra na República Islâmica.

(Reportagem adicional de Hashem Kalantari)

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