Parlamento do Irã aprova redução de laços com Reino Unido

Lei, adotada após Londres cortar relações financeiras com bancos iranianos, obrigará Teerã a diminuir vínculos em duas semanas

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O Parlamento do Irã votou neste domingo a redução das relações diplomáticas com o Reino Unido. Um parlamentar advertiu que iranianos enraivecidos com as últimas sanções de Londres poderiam invadir a embaixada britânica como aconteceu com a missão americana em 1979.

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Parlamentar iraniano grita slogans antibritânicos durante sessão em Teerã
A lei obrigará o governo iraniano a diminuir os laços dentro de duas semanas, forçando o embaixador britânico a deixar o país e fazendo com que a embaixada britânica seja dirigida por um charge d'affaires.

A votação ocorre menos de uma semana depois de Londres ter proibido as instituições financeiras britânicas de fazer negócios com as iranianas , incluindo o Banco Central do Irã. As medidas fazem parte de uma nova série de sanções impostas pelos países ocidentais a Teerã.

As sanções foram anunciadas após um relatório recente da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) reforçar a suspeita de uma "possível dimensão militar" do programa nuclear iraniano. O Irã rejeitou o novo informe da AIEA afirmando que seu programa nuclear tem apenas objetivos pacíficos.

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Ao anunciar suas medidas antes de outros países da União Europeia, o Reino Unido - que é chamado pelos iranianos de "a velha raposa" - ficou na linha de fogo da retaliação de Teerã, mas os parlamentares disseram que pressionarão para romper laços com outros países europeus que seguirem Londres. "O ramo legislativo observa o comportamento do governo britânico, e esse é apenas o início do caminho," disse o porta-voz Ari Larijani ao parlamento.

Os parlamentares que criticaram a lei o fizeram apenas para dizer que ela não era forte o bastante. "Esse plano deveria ser mais firme e mais forte contra o Reino Unido", disse Mahmoud Ahmadi Bighash ao Parlamento. "Manter relações com o Reino Unido, mesmo com um representante, é uma traição completa, e nós deveríamos trancar a embaixada britânica."

Outro membro foi além, invocando a invasão da embaixada americana - chamada de 'ninho de espiões' - por estudantes na Revolução Islâmica de 1979. A crise de reféns que se seguiu durou 444 dias e estabeleceu o tom das péssimas relações entre Teerã e Washington desde então.

"O governo britânico deveria entender que, se insistir em sua postura maldosa, o povo iraniano o socará na boca, exatamente como aconteceu com o ninho de espiões da América, antes de ser aprovado pelas autoridades," disse Mehdi Kuchakzadeh. Antes da votação, os parlamentares gritaram "Morte à Inglaterra."

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