O Parlamento do Irã aprovou nesta quinta-feira a nomeação da primeira mulher a ocupar o cargo de ministra desde a Revolução Islâmica no país, há 30 anos.

Mazieh Vahid Dastjerdi foi um dos 18 nomes indicados pelo presidente Mahmoud Ahmadinejad para formar seu gabinete e que foram submetidos à aprovação pelos parlamentares.


Mazieh Vahid Dastjerdi será a primeira mulher no cargo de ministra do Irã

Ela deve ocupar a pasta da Saúde e, segundo correspondentes da BBC no Irã, é uma política conservadora "linha-dura" que, no passado, propôs introduzir a separação de profissionais e pacientes por sexo no atendimento em consultórios e hospitais.

Outras duas mulheres tiveram suas nomeações rejeitadas pelo Parlamento: Fatemeh Ajorlou, para a pasta do Bem-Estar Social, e Susan Keshavarz, para a Educação.

O presidente agora tem três meses para propor novos candidatos para os Ministérios que ainda não foram preenchidos.

O voto de confiança do Parlamento ocorreu após cinco dias de intenso debate, e meses depois das conturbadas eleições presidenciais do país.

Antes da votação, Ahmadinejad fez um apelo para que os parlamentares aprovassem suas escolhas, dizendo que o pleito refletiu "a verdadeira democracia" no Irã e que seu governo irá trabalhar em conjunto com o Parlamento.

Atentado na Argentina

Entre os nomes aprovados está o de Ahmad Vahidi, acusado na Argentina de envolvimento em um ataque a bomba contra um centro judaico de Buenos Aires, em 1994, que matou 85 pessoas.

Vahidi recebeu a maioria dos votos obtidos por todos os nomeados, e deve ocupar a pasta da Defesa. Israel e Argentina condenaram sua nomeação, mas o Irã negou seu envolvimento no ataque.

Segundo o correspondente da BBC em Teerã, Peter Biles, a votação no Parlamento foi um importante teste do apoio e do poder de Ahmadinejad, em meio à oposição a sua eleição em junho e a uma grande pressão internacional.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, deu ao Irã um prazo até o fim deste mês para que o país concorde em negociar seu programa nuclear, sob ameaça de sofrer sanções mais duras.

O Irã diz estar pronto para apresentar um novo pacote de propostas à comunidade internacional, mas não deu detalhes sobre elas.

Ainda nesta quinta-feira, um assessor de Ahmadinejad disse que ele vai participar da Assembleia-Geral da ONU, marcada para o fim do mês, em Nova York.

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