Parlamento do Haiti aprova censura ao premier e presidente reduz preço do arroz

O presidente do Haitit, Rene Preval, anunciou neste sábado uma redução dos preços do arroz para tentar controlar a ira da população, mas não conseguiu evitar a queda do primeiro-ministro Jacques Edouard Alexis, censurado pelo Parlamento.

AFP |

Durante uma semana, milhares de haitianos protestaram, em alguns casos violentamente, para denunciar a inflação. A situação colocou o governo em xeque e levou à votação da moção de censura ao primeiro-ministro.

Os protestos deixaram pelo menos cinco mortos e 200 feridos, segundo um balanço extra-oficial.

O Parlamento do Haiti aprovou neste sábado por unanimidade uma moção de censura contra o primeiro-ministro Jacques-Edouard Alexis, em meio à crise pelos altos preços da gasolina e dos alimentos.

O Congresso tomou a decisão minutos depois do presidente Rene Preval anunciar a redução do preço do arroz, base da alimentação dos haitianos, tentando deter a onda de protestos populares que ameaçam a estabilidade do governo.

Preval anunciou a redução de oito dólares, ou seja 15%, no preço do pacote de 50 quilos de arroz, na presença de importadores de arroz.

O custo dos alimentos disparou nos últimos dias no Haiti, onde uma saca de 50 kg de arroz passou de 35 a 70 dólares. Além disso, o preço da gasolina, que também afeta os alimentos, registrou o terceiro aumento em menos de dois meses.

"É um esforço que o governo fez graças aos fundos de três milhões de dólares concedidos pela comunidade internacional", declarou Preval na sede do governo.

Ele também reafirmou que o governo pretende incentivar a produção nacional para enfrentar a alta dos preços no mundo.

O presidente declarou antes da votação que se o Congresso destituisse o primeiro-ministro, ele respeitaria a Constituição: "Consultaria os dois presidentes do Parlamento para nomear um novo primeiro-ministro, porque não há nenhum partido majoritário no parlamento".

No entanto, afirmou considerar injusta a destituição de Alexis por causa da crise dos preços, já que segundo ele "o governo não é responsável pela alta dos preços e o Estado administrou a crise da melhor maneira possível".

Alexis, de 61 anos, assumiu o posto de premier em 2006, cargo que já havia ocupado no primeiro governo de Preval, entre 1999 e 2001.

"Agora vamos trabalhar com o presidente para eleger um novo primeiro-ministro", declarou à AFP o senador Jean Judnel.

Neste país de 8,5 milhões de habitantes, que com dificuldades e a ajuda da ONU se recupera de 20 anos de crises e golpes de Estado, 80% da população vive com menos de dois dólares diários, abaixo da linha da pobreza.

Uma missão da ONU comandada pelo Brasil tenta manter a paz neste conturbado país, com 7.060 militares e 2.091 policiais.


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