Johanesburgo, 2 mar (EFE).- A Assembleia Nacional Popular (Parlamento) de Guiné-Bissau está reunida para decidir o futuro político do país, enquanto os militares prometeram respeitar sua resolução, após os assassinatos do presidente, João Bernardo Vieira, e do chefe do Estado-Maior do Exército, general Tagmé Na Wai.

Xabier Lovelle, da ONG espanhola Assembleia de Cooperação pela Paz, disse à Agência Efe de Guiné-Bissau por telefone que a situação é "bastante tranqüila", porque "não há tensão, mas são poucos os carros e pessoas que circulam pelas ruas e muitos comércios não estão abertos".

"Não há proibições para circular, mas é difícil fazer isso pelo centro, nas zonas próximas ao Estado-Maior e à Presidência, porque há controles do Exército", acrescentou Lovelle.

O cooperante espanhol disse que, além de pelas rádios de Guiné-Bissau, "que ontem foram cortadas por um tempo", têm informações de primeira mão da situação por fontes do escritório do primeiro-ministro, pela sede da ONU, da UE e embaixadas, que indicam que "há calma".

Segundo Lovelle, no domingo, às 16h30 de Brasília, recebeu um aviso comunicando que tinha explodido uma bomba no Estado-Maior do Exército e lhe pediam que se dirigisse a uma casa de outra ONG espanhola, Paz e Desenvolvimento, para evitar circular pelo centro da cidade, onde as ruas estavam bloqueadas pelos militares.

Durante a noite, os reunidos na casa receberam informações de que havia "tiroteios e armamento pesado na cidade", e que o general Na Wai tinha sido assassinado.

"Hoje de manhã, levantamos com a notícia de que tinha morrido o presidente da República", disse Lovelle, que admitiu que houve um primeiro momento de confusão, por não ter notícias do que os militares pretendiam fazer.

"A Assembleia Nacional se reuniu em convocação de crise e o Exército, a princípio, disse que esperaria a decisão da Assembleia para saber se tomava medidas ou não, mas, há um momento, saiu um comunicado do Exército dizendo que ele acatará qualquer decisão que a Assembleia Nacional tomar, disse Lovelle.

Os parlamentares, disse, devem decidir nesta reunião "se será nomeado um novo Governo ou convocadas eleições em breve". No entanto, segundo Lovelle, a Chefia do Estado deve recair sobre o presidente da Assembleia Nacional, Raimundo Pereira. EFE cho/an

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