Londres, 18 jun (EFE).- O Parlamento do Reino Unido ratificou hoje o Tratado de Lisboa, que, seis dias após ter sido rejeitado em um plebiscito na vizinha Irlanda, conseguiu passar por seu último trâmite na Câmara dos Lordes.

Depois de ter sido endossado pela Câmara dos Comuns em março, o texto que se propõe a substituir a Constituição européia recebeu sua terceira e última leitura na Câmara dos Lordes sem ir a plebiscito.

Agora, o documento aguardará o consentimento real da rainha Elizabeth II, o qual deverá ser dado nas próximas 24 horas.

Com o endosso, o primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, vai poder comparecer à cúpula da União Européia (UE) de quinta e sexta-feira, que acontecerá em Bruxelas e será dominada pelo "não" irlandês ao Tratado de Lisboa, com o processo de ratificação parlamentar concluído.

O Reino Unido se tornou, assim, o 19º país do bloco a aprovar no Parlamento, e não em um plebiscito, o texto de caráter constitucional, que substitui a fracassada Constituição européia rejeitada por franceses e holandeses em 2005.

Os sete países que ainda não concluíram esse processo são: República Tcheca, Suécia, Chipre, Itália, Espanha, Holanda e Bélgica.

Desde que, na última sexta-feira, foi anunciado o resultado do plebiscito irlandês sobre o Tratado de Lisboa, aumentaram os pedidos das autoridades européias para que o processo de ratificação do documento seja concluído nos Parlamentos dos países que ainda não avaliaram o texto.

A aprovação pelo Legislativo britânico só foi possível porque os trabalhistas e liberal-democratas da Câmara dos Lordes rejeitaram uma emenda dos conservadores para adiar, até 20 de outubro, o último trâmite parlamentar.

O adiamento proposto tinha como objetivo permitir ao Parlamento "considerar a resposta mais apropriada à mudança nas circunstâncias e às incertezas criadas" após o "não" irlandês.

No debate que antecedeu a votação na câmara alta, o conservador lorde Howell recomendou que o Governo de Londres não seguisse adiante com a ratificação do documento após sua rejeição pelos eleitores irlandeses.

Já os liberal-democratas consideraram a emenda dos conservadores "um engenhoso ardil" para bloquear a aprovação parlamentar e a implementação do Tratado de Lisboa, e, assim, debilitar o compromisso do Reino Unido com a UE. EFE ep/sc

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