Parlamento britânico aprova pesquisa com embriões híbridos

Por Katherine Baldwin LONDRES (Reuters) - O Parlamento britânico aprovou na segunda-feira a criação de embriões híbridos (humano-animais), o que segundo alguns cientistas seria essencial para encontrar a cura de várias doenças, embora para outros seja uma aberração.

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Isso mantém a Grã-Bretanha na liderança mundial das pesquisas com células-tronco. Pesquisas com embriões híbridos são proibidas em países como Austrália, França, Alemanha e Itália.

Após horas de acalorado debate, o Parlamento rejeitou por 336-176 votos um projeto que proibia pesquisas em que o DNA de seres humanos é colocado em células derivadas de animais.

A lei de fertilização humana e embriologia proíbe a transferência desses embriões híbridos para mulheres ou animais, e limita seu uso a um prazo de 14 dias. Esse tipo de pesquisa enfrenta resistência de alguns membros católicos do governo.

Mas o primeiro-ministro Gordon Brown argumentou recentemente, num artigo de jornal, que os embriões ditos 'mistos' seriam necessários 'caso queiramos manter a pesquisa com células-tronco e trazer novas curas e tratamentos para milhões de pessoas'.

Não houve orientação partidária na votação de segunda-feira, o que significa que os parlamentares puderam votar segundo sua consciência.

O projeto, que atualiza leis de 1990, atualmente tramita nas comissões, e por isso ainda podem receber emendas. A votação em plenário deve ocorrer dentro de algumas semanas.

Dois grupos de pesquisas da Grã-Bretanha já receberam autorização para criar embriões híbridos. A nova lei deve legalizar seu trabalho dentro de determinados parâmetros.

Os cientistas dizem que essa prática resolverá um déficit de óvulos humanos, o que dificulta a pesquisa com células-tronco -- uma espécie de 'manual de instruções' do organismo, capaz de gerar praticamente qualquer tipo de tecido.

Mas outros cientistas e líderes religiosos acham antiético criar esse tipo de embrião e duvidam inclusive de suas perspectivas para a pesquisa. Um cardeal católico disse que seu uso caracteriza uma 'ciência-Frankenstein'.

(Reportagem adicional de Tim Castle)

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