Parlamento aprova que a Geórgia se retire da CEI

O parlamento georgiano aprovou por unanimidade nesta quinta-feira a retirada da Geórgia da Comunidade de Estados Independentes (CEI), o bloco regional dominado pela Rússia e criado depois da dissolução da URSS, segundo votação transmitida pela televisão.

AFP |

O resultado da votação foi de 117 parlamentares a favor e 0 contra.

O presidente Mikhail Saakashvili propôs retirar a Geórgia da CEI na terça-feira em função do conflito com a Rússia pelas regiões separatistas georgianas da Abkházia e Ossétia do Sul.

A decisão acontece depoise uma semana de conflito entre a Geórgia e a Rússia, que ocupou o território georgiano para apoiar as repúblicas separatistas pró-russas da Abkházia e Ossétia do Sul.

A Comunidade dos Estados Independentes (CEI) foi criada em 21 de dezembro de 1991 em Almaty, no Cazaquistão, por onze das 15 ex-repúblicas soviéticas, após o desaparecimento da URSS.

Alguns dias antes, a 8 de dezembro, reunidos perto de Brest-Litovsk (Bielorus), os presidentes da Rússia, da Ucrânia e da Bielorus constatavam num documento conjunto (Tratado de Minsk) que a URSS "não mais existia", decidindo fundar uma Comunidade de Estados aberta a todas as nações saídas da extinta União Soviética.

No dia 21 de dezembro, foi criada a CEI com, além de Rússia, Ucrânia e Bielorus, oito outros membros: Moldávia, Armênia, Azerbaijão, Cazaquistão, Quirguistão, Turcomenistão, Tadjiquistão e Uzbequistão.

A lei orgânica foi aprovada em janeiro de 1993. A Geórgia somou-se à Comunidade em dezembro de 1993.

Os três Estados bálticos : Estônia, Lituânia, Letônia, ficaram afastados do processo.

O acordo constitutivo da CEI deveria desenvolver a cooperação multilateral num princípio de igualdade. Permanecendo de fato sob o poder de Moscou, a CEI não conseguiu jamais tomar corpo realmente, com os países membros rejeitando mais e mais essa dominação.

Além disso, a Comunidade vem sendo minada pela fratura entre países mais "fiéis" a Moscou, como Bielorus, Cazaquistão, Uzbequistão, e os "traidores" como Ucrânia e Geórgia, que adotaram uma vertente pró-ocidental após suas "revoluções de veludo", o mesmo que a Moldávia.

Os conflitos comerciais com Moscou, notadamente devido aos altos preços do gás russo (Ucrânia, Geórgia, Moldávia, Bielorus), o escoamento do petróleo (Bielorus), as exportações de vinho (Geórgia, Moldávia), contribuíram para acentuar as divisões no seio da Comunidade.

O Azerbaijão, considerado uma peça chave na estratégia do Ocidente para reduzir sua dependência energética em relação à Rússia, tem uma política energética independente.

O consenso no seio da Comunidade se resume a um entendimento mínimo sobre alguns assuntos, tais como a partilha do espaço aéreo ou a luta contra o terrorismo.

Em outubro de 2005, o Turcomenistão decidiu sair da CEI para tornar-se membro associado.

Em 2006, o presidente georgiano Mikheil Saakachvili ordenou a retirada de seu país da instância de cooperação militar, explicando a decisão por seu desejo de se integrar à Otan.

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