Parlamento aprova lei de educação que dividiu venezuelanos

A Assembleia Nacional venezuelana aprovou na noite de quinta-feira em segunda votação e por unanimidade a lei sobre educação que dividiu o país e provocou várias manifestações nos últimos dias.

AFP |

A lei foi aprovada após uma sessão de quase 10 horas na Assembleia, onde o governo de Hugo Chávez tem ampla maioria.

Durante o dia, milhares de pessoas saíram às ruas de Caracas para apoiar ou protestar contar o projeto de lei.

Os críticos afirma que nova lei dá um papel preponderante ao ministério da Educação e prevê um doutrinamento dos estudantes, em acordo com os ideais do atual governo, que apregoa um "socialismo do século XXI".

O ministro da Educação, Héctor Navarro, afirma que a lei é "necessária para garantir a igualdade de oportunidades" no país.

A aprovação acontecen na ausência da pequena bancada da oposição, que abandonou o Parlamento para manifestar repúdio pelo debate em curso.

Os seis parlamentares opositores afirmaram que pretendem convocar um referendo para saber se o povo venezuelano aprova a lei.

O projeto de lei sobre educação foi aprovado em primeira votação em 2001 e voltou a ser apresentado ao Congresso com modificações na semana passada para ser ratificado em segundo turno.

Os críticos destacam que o projeto não é o mesmo aprovado em 2001 e que por isto o processo deveria recomeçar do zero.

"Reiteramos o repúdio aos artigos que dão poderes onipotentes ao Estado. Sabemos que o governo vai assumir este poder e vai tornar mais difícil o processo educativo", reclamou a deputada opositora Pastora Medina.

Durante a quinta-feira, peloo menos 12 jornalistas venezuelanos, que protestavam contra o projeto de lei da Educação, foram agredidos por militantes chavistas em Caracas.

Um grupo de 30 funcionários da Rede Capriles, que reúne vários jornais, foi atacado por "simpatizantes do governo" do presidente Hugo Chávez.

Os jornalistas da Capriles protestavam "de forma pacífica, com cartazes", e o violento ataque deixou oito feridos leves, que foram levados a centros de saúde, destacaram as fontes.

Eleazar Díaz Rangel, diretor do jornal Últimas Notícias, que integra a Rede Capriles, condenou "este ato salvagem" e pediu "o fim de condutas desta natureza", segundo a Unión Radio.

Os jornalistas protestavam contra o artigo 50 do projeto de educação, que prevê sanções aos meios de comunicação "que produzam terror e incitem ao ódio".

Durante todo o dia, centenas de estudantes e professores foram reprimidos pela polícia, que utilizou bombas de gás lacrimogêneo para impedir sua chegada ao Parlamento.

bl/LR/ fp

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