Parlamento albanês retira imunidade de ex-ministro acusado de crime

Tirana, 16 jun (EFE).- O Parlamento albanês retirou hoje a imunidade do ex-ministro da Defesa Fatmir Mediu a pedido da Procuradoria Geral, que o responsabiliza pela explosão, há três meses, em uma fábrica de desativação de munição, que deixou 26 mortos e 300 feridos.

EFE |

Mediu, líder do Partido Republicano, aliado do governante Partido Democrático, convidou os deputados a votarem a favor de sua imunidade e disse que não tem culpa na tragédia.

Em seu discurso, o ministro afirmou que não violou as leis durante o período à frente de sua pasta e que renunciou dois dias depois do incidente para permitir uma investigação imparcial.

A procuradora-geral, Ina Rama, o acusa de abuso de poder, emissão de ordens em benefício de interesses ilegais e de ter evitado chamar as Forças Armadas no processo de desmantelamento de munição.

Além de ter permitido que a fábrica se localizasse no antigo quartel militar em uma região povoada, perto de Tirana, do aeroporto e da principal estrada do país.

Segundo a procuradora, todo o processo de desmantelamento do armamento transgrediu as normas de gestão de munição e do funcionamento de depósitos militares, pondo em risco a vida dos trabalhadores e dos habitantes da região.

Até o momento, por ordem da Procuradoria foram detidos os diretores da fábrica, da empresa estatal de compra e venda de munição e da companhia albanesa terceirizada.

Da investigação participam seis agentes americanos do FBI (polícia federal americana).

A imprensa internacional e local denunciou que por trás da desativação de munição existia um tráfico de armas antigas para o Afeganistão, no qual estariam envolvidos o ex-ministro Mediu e o primeiro-ministro, Sali Berisha.

A Albânia dispõe de 100 mil munições obsoletas russas e chinesas armazenadas sem nenhuma medida de segurança em depósitos militares situados a poucos metros de centros habitados.

Sua destruição dentro do prazo previsto com ajuda internacional é um dos requisitos exigidos para que o país ingresse na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) ano que vem. EFE md/rb/rr

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