Parlamento afegão rejeita maior parte do gabinete de Karzai

O Parlamento afegão rejeitou neste sábado mais de 70% dos ministros apresentados pelo presidente Hamid Karzai, mas aprovou os indicados para as pastas da Defesa e do Interior, consideradas as mais importantes.

AFP |

"Sete dos 24 candidatos apresentados ao Parlamento obtiveram o voto de confiança", declarou o presidente da casa, Mohammad Yunus Qanoni, logo após a contagem dos votos dos deputados.

Foram aprovados os ministros do Interior, da Defesa, da Educação, da Cultura, da Agricultura e da Indústria.

Assim, os ministros do Interior, Mohammad Hanif Atmar, e da Defesa, Abdul Rahim Wardak, que contam com o apoio dos países ocidentais, foram reconduzidos ao cargo.

A única mulher sugerida pelo presidente não foi aprovada para comandar o ministério da Condição Feminina.

Reeleito no dia 2 de novembro, ao final de uma votação marcada por graves irregularidades, Karzai, 51 anos, demorou mais de um mês e meio para apresentar seu projeto de governo aos deputados.

O ministro das Relações Exteriores somente será escolhido após a conferência de 28 de janeiro, em Londres, da qual participará o atual chanceler, Rangin Dadfar Spanta.

A composição do governo exige um sutil equilíbrio entre as exigências da comunidade internacional, que cobra de Karzai o combate à corrupção endêmica no país e pede a presença de ministros íntegros e competentes, e a necessidade política de atender aos setores de influência que apoiaram a reeleição do presidente afegão.

O Parlamento afegão é composto por grupos heterogêneos, que incluem antigos 'senhores de guerra' antisoviéticos, seus antigos adversários comunistas, tecnocratas formados no Ocidente e personalidades da sociedade civil.

Washington, que decidiu enviar mais 30 mil soldados ao Afeganistão, já avisou que a ajuda financeira dos EUA será condicionada aos esforços de combate ao terrorismo.

Entre os ministros rejeitados hoje está o antigo 'chefe de guerra' Ismail Khan, indicado para a pasta de Energia.

Segundo o porta-voz do Parlamento, Haseb Nuri, o presidente não poderá indicar um mesmo candidato para o ministério uma segunda vez.

Com o Parlamento em recesso desde 5 de janeiro, por um período de 45 dias, Karzai não poderá propor os novos nomes para os 17 ministérios até 20 de fevereiro de 2010.

skh/yw/LR

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