Parlamento afegão rejeita grande parte do Gabinete proposto por Karzai

Nova Délhi, 2 jan (EFE).- O Parlamento afegão fez hoje uma demonstração de força e rejeitou 17 dos 24 ministros propostos há duas semanas pelo presidente do país, Hamid Karzai, para integrar o novo Gabinete.

EFE |

Entre os sete que receberam a aprovação da Wolesi Jirga (Assembleia Popular) está o núcleo duro do Gabinete de Karzai: os ministros da Defesa, Abdul Rahim Wardak; de Interior, Mohammed Hanif Atmar, e de Finanças, Hazrat Omar Zakhelwal, informou hoje a agência de notícias "AIP".

Na lista de Karzai não estava o candidato a coordenar um dos ministérios de maior peso, o de Exteriores, cargo que seguirá interinamente com Rangin Dadfar Spanta até janeiro para preparar a conferência de Londres sobre o Afeganistão, depois ele deixará o posto.

Entre os candidatos que a câmara baixa rejeitou esta o controvertido ex-mujahedin Ismail Khan, que o presidente havia escolhido para continuar à frente da pasta de Energia.

Khan foi governador da província de Herat e um proeminente comandante tadjique que lutou contra as tropas soviéticas nos anos 80 e contra os talibãs na década de 90, enquadrado na Aliança do Norte.

Sua figura foi criticada pelo papel que desempenhou na guerra civil afegã antes da chegada do movimento talibã ao poder, período no qual parte da população começou a considerá-lo como um dos chamados "senhores da guerra".

O Ministério de Energia não tem um peso de destaque no Gabinete, mas a proposta de Karzai de voltar a incluí-lo foi interpretada pelos meios de comunicação como uma recompensa por ter apoiado durante o pleito presidencial de agosto de 2009.

Também foram descartados pelos mais de 200 deputados o ministro interino de Justiça, Sarwar Danish, e a única mulher que Karzai incluiu na lista, Husn Banu Ghazanfar, que desejava continuar à frente do Ministério da Mulher.

Karzai, que renovou seu mandato em novembro após um controvertido processo eleitoral que começou em agosto e teve milhares de cédulas anuladas por fraude, enviou ao Parlamento sua proposta ministerial em 19 de dezembro.

Na lista, marcada pela continuidade nas pastas mais importantes, figuram ministros de perfil tecnocrata, do agrado das potências estrangeiras, e outros controvertidos como Ismail Khan.

Um analista citado por "AIP" afirmou que os ministros que as potências estrangeiras tinham melhor opinião foram os que receberam o consentimento da câmara.

Os Estados Unidos e a ONU tinham pressionado Karzai a lutar contra a corrupção e a formar um Gabinete competente.

Um porta-voz presidencial consultado pela Efe não quis avaliar o resultado da votação, que se estendeu durante horas com duas pessoas contando os votos um a um para os 24 candidatos, segundo mostraram os canais de televisão afegãos.

Por outro lado, um representante da Comissão Eleitoral anunciou hoje que o pleito parlamentar afegão será realizado em 22 de maio, apesar de a comunidade internacional preferir atrasá-lo para poder garantir sua transparência.

O Afeganistão vai precisar de uma doação de US$ 50 milhões para manter o orçamento, que chega a US$ 120 milhões, de acordo com o porta-voz da Comissão Eleitoral, citado pela agência "Pajhwok".

O caráter presidencialista do sistema político afegão faz com que as eleições tenham menos relevância que as realizadas em 2009.

Muitos dos deputados são escolhidos em chaves regionais e costumam agrupar as votações parlamentares de forma frouxa, de acordo com seus interesses: os partidos políticos não têm raízes no Afeganistão e nem sequer Karzai tem uma sigla.

No Afeganistão estão 110 mil soldados estrangeiros, à espera da chegada da totalidade do reforço anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e pela Otan, o que elevará a quase 140 mil as tropas militares internacionais, cujo objetivo é lutar contra os rebeldes talibãs e fortalecer o Estado. EFE amp/dm

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