Parlamentares indianos debaterão lei anticorrupção proposta por ativista

Pressionado por Anna Hazare, que está no nono dia de greve de fome, premiê faz apelo a legisladores para analisar projeto

iG São Paulo |

Legisladores indianos concordaram nesta quarta-feira em debater uma lei anticorrupção proposta em um conjunto de reformas pelo ativista Anna Hazare, que está em seu nono dia de greve de fome em protesto contra a corrupção no país.

Pressionado, o primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh, encontrou-se com todos os partidos do país no Parlamento, que pediu para Hazare dar fim à greve de fome que iniciou no dia 18 e concordou sobre a necessidade de se debater um projeto de lei anticorrupção.

AP
Ativista anticorrupção Anna Hazare deita em frente a retrato de Gandhi, em Nova Délhi, em seu nono dia de greve de fome
No encontro, Singh disse que os ativistas propõem que o governo revogue a versão anterior da lei em nome da nova proposta dentro de quatro dias e a aprove com pequenas mudanças. Críticos acusam os manifestantes de chantagear o governo e subverter o Parlamento indiano.

“Acontecimentos recentes levantaram dúvidas sobre o funcionamento da nossa democracia parlamentar, o que preocupa todos nós”, disse o premiê aos parlamentares.

A principal diferença entre os projetos é se um órgão anticorrupção deve ou não ter poder para investigar e sanciionar o gabinete do primeiro-ministro e o Poder Judiciário na Índia.

Críticos da proposta de Hazare dizem que garantir tais poderes ao órgão pode ser inconstitucional e alegam que os principais líderes na maioria das democracias no mundo têm imunidade contra tais investigações.

Jejum

Hazare voltou a rejeitar nesta quarta-feira qualquer concessão ao governo em sua cruzada contra a corrupção na Índia e prometeu manter a greve de fome, mesmo que ela lhe custe a vida.

O ativista de 74 anos já apresenta problemas de saúde e continua reunindo milhares de simpatizantes em Nova Délhi. O premiê indiano pediu, sem sucesso, que o ativista aceite pelo menos alimentação intravenosa. “Só perdi seis quilogramas e parte do meu rim está afetado, mas isso não é nada preocupante”, disse Hazare, que se inspira no ativista Mahatma Gandhi. “Até que o governo aceite todas as condições, não recuarei. Mesmo que para isso eu tenha de morrer”.

A campanha de Hazare mobiliza principalmente a classe média emergente, cansada da rotina de subornos no país asiático. Milhares de pessoas já saíram às ruas em apoio ao ativista, no que podem ser considerados os mais intensos protestos na Índia desde a década de 70.

*Com AP e Reuters

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