Teresa Bouza. Washington, 18 jun (EFE).- A reforma financeira proposta pelo Executivo dos Estados Unidos dá poder excessivo ao Federal Reserve (Fed, banco central americano), segundo disseram hoje diversos parlamentares ao secretário do Tesouro americano, Timothy Geithner, que visitou o Congresso com o objetivo de obter apoio para o plano.

O presidente dos EUA, Barack Obama, propôs ontem a maior reforma financeira no país desde a Grande Depressão dos anos 30, que agora necessita do respaldo do Legislativo.

Um dos principais pontos do programa prevê conceder mais poder ao Fed. Além disso, a iniciativa de Obama estabelece a criação de uma nova agência para proteger os consumidores frente a possíveis abusos, uma maior apuração nos fundos de alto risco (hedge funds) e exige que os bancos aumentem sua capitalização.

Geithner disse hoje que a reforma "apresentará as bases para um sistema financeiro mais estável, que possa oferecer as vantagens de uma inovação financeira impulsionada pelo mercado, ao mesmo tempo em que resguarda contra seus excessos".

Entretanto, nem todos compartilham a visão do titular do Tesouro, um dos principais arquitetos do plano de reforma.

Dentre os pontos mais espinhosos, está o desejo do Governo de reforçar o Fed para que supervisione as instituições financeiras cuja quebra pode ameaçar outras firmas e a economia em seu conjunto.

"O Fed já se encarrega da política monetária, das operações dos bancos em nível internacional, da proteção dos consumidores e é a entidade que faz empréstimos de último recurso", disse hoje o senador republicano Richard Shelby.

O parlamentar acrescentou que essa multiplicidade de funções gera conflitos em algumas ocasiões. "Não acho que possamos deixar que o Fed desempenhe tantos papéis", opinou Shelby, um dos que se opõem à possibilidade de que o banco central tenha ainda mais atribuições.

O próprio presidente do Comitê Bancário do Senado, que recebeu hoje a visita de Geithner, o democrata Christopher Dodd, reconheceu que os planos para transformar o Fed em um "superpolicial" do setor financeiro geram preocupação.

"Existe um debate saudável sobre permitir ou não que o Fed tenha esse papel", disse Dodd, afirmando também que o banco central americano tem as condições necessárias para desempenhar novas funções.

O democrata reconheceu, de todo modo, que existem "preocupações legítimas" sobre se uma instituição que tem como prioridade definir a política monetária pode assumir novas responsabilidades sem perder de vista suas atribuições principais.

O plano de reforma da Casa Branca contempla também a criação de um conselho de supervisão dos serviços financeiros, integrado por várias agências e que ofereceria assessoria ao Fed.

Alguns observadores consideram que os legisladores poderiam solicitar que esse conselho estabeleça, por exemplo, os níveis de capital dos bancos, no lugar da entidade emissora.

Porém, Geithner defendeu a atual proposta ao assinalar que outros bancos centrais ao redor do mundo também têm a dupla função de fixar a política monetária e estabelecer soluções para impedir um risco sistêmico.

"Não vejo conflito", disse o secretário do Tesouro, acrescentando que a tendência mundial é dar mais poder aos bancos centrais e não menos.

Em sua opinião, o plano de reforma só concede "uma quantidade modesta de autoridade adicional e responsabilidade" ao Fed.

Geithner também pediu rapidez ao Governo no momento de transformar em lei as propostas da Casa Branca ao lembrar que, em crises prévias, as reformas frequentemente chegaram tarde demais.

"Não podemos permitir que isso aconteça de novo", insistiu, ao comentar como a atual crise afetou duramente os cidadãos mais pobres, além de provocar a perda de confiança no sistema financeiro e de impactar negativamente o conjunto da economia.

"Consideramos uma ampla gama de opções e decidimos que o momento de buscar as reformas essenciais é agora", apontou Geithner, ressaltando que o plano "ajudará a prevenir ou conter futuras crises". EFE tb/bba

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