Parlamentares do Irã podem rejeitar ministros de Ahmadinejad

Um dos mais importantes membros do Legislativo do Irã, o vice-presidente do Parlamento Mohammad Reza Bahonar, afirmou nesta quinta-feira que muitos parlamentares poderão rejeitar alguns dos nomes propostos pelo presidente Mahmoud Ahmadinejad para a formação de seu ministério. Ahmadinejad, cuja reeleição no dia 12 de junho desencadeou uma onda de protestos no país, revelou nesta quinta-feira uma lista de ministros que inclui nomes relativamente jovens e inexperientes e, pela primeira vez em 30 anos da história da república islâmica, três mulheres.

BBC Brasil |

Os parlamentares devem colocar em votação os 21 nomes indicados pelo presidente no final de agosto.

"Alguns de meus colegas e eu (...) acreditamos que cerca de cinco ministros propostos por Ahmadinejad não vão receber o voto de confiança", afirmou Bahonar, segundo a agência de notícias iraniana Mehr.

Bahonar, que é conservador, não deu os nomes de quais ministros poderiam ser rejeitados pelos parlamentares.

Pressão
Ahmadinejad tomou posse no dia 5 de agosto para iniciar seu segundo mandato como presidente, mas, segundo o correspondente da BBC em Teerã Jon Leyne, ele está sofrendo pressões vindas de todos os lados da política iraniana.

O presidente reeleito, de acordo com o correspondente, fez suas escolhas para o ministério privilegiando a lealdade e colocando experiência em segundo plano, colocando vários ministros relativamente jovens e pouco conhecidos - apesar dos pedidos do Parlamento pela escolha de uma equipe mais competente.

Segundo Leyne, as escolhas de Ahmadinejad parecem ser uma provocação deliberada que deve levar a uma nova batalha entre o presidente e o Parlamento.

O novo ministro do Petróleo, Massoud Mirkazemi, e o novo ministro da Inteligência, Heydar Moslehi, já foram alvo de críticas pela falta de experiência.

Mirkazemi é o atual ministro do Comércio e espera-se que ele melhore a produção de petróleo e gás, ainda que pesem as sanções impostas contra o Irã pelos Estados Unidos e a ONU devido ao seu programa nuclear.

Além disso, Mirkazemi, Moslehi e o indicado para o ministério do Interior, Mostafa Mohammad Najjar, vêm da elite da Guarda Revolucionária, que é vista como muito leal aos valores da República Islâmica.

Mulheres
A nomeação de três mulheres - Marzieh Vahid Dastjerdi para a Saúde, Fatemeh Ajorlou para o Bem Estar Social, e Sousan Keshavarz para a Educação -, deve irritar os conservadores, que não gostam de mulheres em postos de liderança.

E também deve irritar os reformistas, que não concordam com algumas posições defendidas pelas indicadas.

Além destes nomes, Ahmadinejad escolheu Kamran Daneshjou, um aliado linha-dura para o cargo ministerial que supervisiona as universidades do país.

Jon Leyne afirma que a indicação sugere que o presidente já está se preparando para os protestos de estudantes, que devem ocorrer quando o semestre começar nas universidades do país, dentro de um mês.

E, depois de muita especulação sobre o Ministério do Exterior, Ahmadinejad decidiu que Manoucher Mottaki deve permanecer no posto, o que deve tranquilizar um pouco os países ocidentais a respeito da possibilidade de novas negociações sobre a questão nuclear do país.

Mas Mottaki não é visto como uma voz particularmente influente na política externa iraniana.

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