Parlamentares da França mostram preocupação com uso de burcas

PARIS (Reuters) - Legisladores franceses disseram nesta quarta-feira que cada vez mais mulheres muçulmanas estão usando burcas na França, roupa que as cobre dos pés à cabeça e esconde seus rostos, e manifestaram preocupação com a tendência. Aproximadamente 60 parlamentares assinaram uma proposta para que uma comissão parlamentar analise o aumento no uso das burcas, peça que para eles propicia uma quebra da liberdade individual em nosso território.

Reuters |

A França, que abriga a mais numerosa minoria muçulmana da Europa, está fortemente ligada a seus valores seculares e à igualdade de gênero, e muitos veem a burca como um ataque aos direitos femininos, cada vez mais imposta às mulheres pelos fundamentalistas.

O país está dividido em debates ferozes sobre a melhor maneira de conciliar esses princípios com a liberdade religiosa.

"Há pessoas neste país que estão andando por aí em prisões portáteis", disse Andre Gerin, legislador comunista que está por trás da iniciativa contra as burcas. Mais de 40 parlamentares do partido governista de centro-direita também assinaram o texto.

"Precisamos ser capazes de abrir um diálogo leal e franco com todos os muçulmanos sobre a questão do lugar do Islã neste país... levando em conta a queda pelo fundamentalismo (de alguns muçulmanos)", afirmou Gerin à rádio France Info.

Ele falou que um número cada vez maior de mulheres muçulmanas, não apenas em grandes cidades como em zonas rurais, estão usando burcas na França. Os deputados não disseram quantas mulheres a mais estão usando a peça, mas a percepção é a de que houve um aumento.

A proposta dos legisladores ecoou uma polêmica que incomodou a França por uma década a respeito do uso de véus por garotas muçulmanas nas escolas. Em 2004, foi aprovada uma lei que proíbe os estudantes de usarem símbolos religiosos ostensivos em escolas públicas.

Críticos dizem que a lei estigmatiza os muçulmanos no momento em que o país deveria estar lutando contra a discriminação no trabalho e no mercado imobiliário, que criou uma divisão entre a sociedade tradicional e muitos jovens de origem imigrante.

Dalil Boubakeur, reitor da Grande Mesquita de Paris, condenou nesta quarta-feira o uso de burcas.

"O Islã na França deve ser um Islã aberto, liberal e de convivência, que permita que as pessoas vivam lado a lado", disse à France Info.

Boubakeur, ex-diretor do conselho muçulmano aprovado pelo governo francês, afirmou que o uso cada vez maior de burcas está ligado a "um excesso, a uma radicalização" de alguns muçulmanos.

(Reportagem de Elizabeth Pineau)

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