Parlamentar denuncia existência de centros de detenção secretos no Iraque

Genebra, 30 out (EFE) - O parlamentar iraquiano Mohammed al-Dainy denunciou hoje a existência de 420 centros de detenção secretos no Iraque, alguns subterrâneos, onde são cometidas graves violações aos direitos humanos.

EFE |

Em entrevista coletiva em Genebra, o legislador disse que documentou a situação nessas prisões e que tem provas de seu funcionamento.

Ele afirmou que nesses locais foram realizadas "execuções extrajudiciais, abusos sexuais contra homens e mulheres e detenções ilegais", uma série de denúncias que colocam em risco sua própria vida, assegurou.

Segundo Dainy, mais de 40 mil iraquianos estão confinados em 27 prisões oficiais sob controle das forças oficiais do Iraque, mas ele destacou que esse número representa apenas um quarto das pessoas privadas de liberdade em todo o país, das quais "milhares" estão em lugares secretos.

O parlamentar, cujo encontro com a imprensa foi patrocinado pela ONG Alkarama, disse que os parlamentares da ala nacionalista que criticam a ocupação dos Estados Unidos sofrem perseguição e alguns foram inclusive assassinados ou tiveram que abandonar suas funções por ameaças às suas famílias.

Por isso, pediu à comunidade internacional que intervenha perante o Governo de Bagdá para garantir a proteção dos membros do Congresso e que seja estabelecido um tribunal internacional para julgar todos os crimes cometidos no Iraque desde os tempos de Saddam Hussein até agora.

Dainy alegou que isto é necessário devido à inexistência de "um verdadeiro Poder Judiciário no Iraque", já que "50% dos magistrados foram destituídos e substituídos por pessoas sem a qualificação requerida e os que ficaram, têm medo de fazer alguma coisa".

Além disso, o parlamentar pediu à ONU para voltar a criar a figura do relator especial da organização para o Iraque, que foi eliminada após a invasão americana.

O legislador disse a jornalistas, que desde a chegada das forças da coalizão ao país, 1,5 milhão de iraquianos morreram "na guerra", quatro milhões se transformaram em refugiados nos países vizinhos e dois milhões em deslocados internos, um milhão ficaram incapacitados e há três milhões de órfãos.

O parlamentar disse ainda que tinha se reunido em Genebra com representantes do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) e com responsáveis da ONU na área de direitos humanos.

No entanto, manifestou pessimismo sobre o resultado das gestões devido "às pressões exercidas pelos Estados Unidos nas instituições internacionais". EFE is/db

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