Paris e Washington admitem descoordenação na ajuda ao Haiti

Javier Alonso. Paris, 29 jan (EFE).- Os máximos representantes da diplomacia francesa e americana admitiram hoje erros de coordenação na assistência ao Haiti, diante da tarefa de ajuda de emergência pelo devastador terremoto que superou todas suas expectativas.

EFE |

O ministro francês de Exteriores, Bernard Kouchner, e a secretária de Estado Hillary Clinton falaram sobre a difícil missão surgida a partir do terremoto no país caribenho na hora de coordenar a ajuda de emergência.

"Essa foi a maior tragédia natural da história", disse Kouchner em entrevista com sua colega americana no final de uma visita de Hillary à capital francesa.

Hillary admitiu que "aprenderam como enfrentar estas situações" e reconheceu que há lições a serem tiradas com relação à ajuda enviada no terreno.

Trocaram elogios nos trabalhos de resgate desempenhados pelas equipes enviadas desde o primeiro momento a partir dos dois países, e Kouchner alertou que "ainda estamos na fase de emergência".

"Não podemos continuar fazendo caridade permanente", disse o ministro francês ao referir-se ao trabalho de reconstrução que requer um país arrasado pela catástrofe e precisa de ajuda de emergência para reparar a tragédia humana.

A secretária de Estado americana afirmou que seu país tomou medidas relacionadas à adoção de menores haitianos sem documentos em consequência do terremoto de 12 de janeiro e para ajudar os cidadãos do país caribenho sem meios econômicos nos Estados Unidos.

Mas a sensação que Kouchner e Hillary transmitiram em Paris foi a de representar as duas potências mundiais que se viram absolutamente exauridas pelo esforço para enfrentar a reparação da catástrofe.

"Sinto muito, mas fizemos o melhor possível", reconheceu o ministro francês, fundador da ONG Médicos sem Fronteiras.

O Haiti foi um dos assuntos abordados durante as horas nas quais Hillary esteve em Paris, onde a secretária de Estado se reuniu com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, e fez um discurso sobre a segurança e defesa na Europa.

Kouchner e Hillary repassaram os temas analisados, entre os quais o Irã e a disputa nuclear entre esse país e a comunidade internacional.

Ambos manifestaram que, apesar de manter a opção de diálogo permanente, o trabalho para a adoção de sanções contra Teerã continua.

"Fizemos todo o possível", manifestou Kouchner, quem advertiu que o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou três resoluções contra a política nuclear iraniana e esperamos uma quarta.

"A comunidade internacional está unida" afirmou Hillary, quem rejeitou a atuação dos dirigentes iranianos na repressão das manifestações dos opositores ao regime.

É "deplorável", disse Hillary em relação ao tratamento que o Governo iraniano deu nos últimos meses aos que demonstram oposição as suas teses.

Quanto à cooperação dos países no Afeganistão, a França insistiu em que o único aumento que poderia aceitar em relação ao aumento dos efetivos naquele país está relacionado com trabalhos de formação, e Kouchner reiterou a posição conhecida de Paris: "não haverá mais soldados combatentes".

A "França fez um esforço muito especial", resumiu o titular francês de Exteriores, que afirmou que seu país tem no Afeganistão os efetivos necessários para sua missão e ressaltou que no pleito realizado no ano passado as regiões sob controle francês tiveram uma participação dez vezes superior a do resto do território.

Também aludiram à situação no Oriente Médio, embora unicamente para reiterar seu apoio à criação de um Estado palestino - junto a um Estado de Israel cuja segurança esteja garantida - e Hillary advertiu contra os que mencionam a necessidade de aplicar sanções.

"Necessitamos de uma diplomacia paciente", assegurou.

Antes do comparecimento de ambos no Quai d'Orsay (sede do Ministério de Exteriores francês) Hillary fez um discurso na École Militaire onde defendeu os vínculos entre Estados Unidos e a Europa em assuntos de defesa.

Mencionou que seu país e a Europa têm novos desafios em âmbitos como a segurança do abastecimento energético e o combate contra as ameaças ao meio ambiente, assim como a luta contra o terrorismo cibernético ou a promoção dos direitos humanos.

Sobre a possibilidade de criar um Exército europeu, a secretária de Estado deixou claro que os EUA "não querem nada que suplante à Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte)", embora se mostrou disposta a aceitar uma opção que a complemente. EFE jam/dm

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