Paris e Berlim querem Governo econômico e agenda para UE até 2020

Paris, 4 fev (EFE).- França e Alemanha querem que a União Europeia (UE) tenha um Governo econômico para coordenar a agenda comum até 2020 e desejam que isso seja feito neste ano, e por isso apresentarão iniciativas comuns na cúpula do bloco marcada para o próximo dia 11.

EFE |

Essa é uma das principais mensagens do conselho ministerial bilateral realizado hoje em Paris, no qual o presidente francês, Nicolas Sarkozy, e a chanceler alemã, Angela Merkel, também pediram à UE para que estabeleça ainda em 2010 novos indicadores para medir o crescimento econômico que levem em conta aspectos como o bem-estar sanitário, social e ambiental.

Esses indicadores, que terão como base os trabalhos dos prêmios Nobel de Economia Joseph Stiglitz e Amartya Sen, servirão para completar o Produto Interno Bruto (PIB).

Sarkozy, que anunciou que voltará a se encontrar com Merkel às vésperas da cúpula do dia 11, assegurou que "esta liderança franco-alemã não se dirige contra ninguém. Simplesmente, para que exista uma Europa forte, França e Alemanha têm que trabalhar junto".

"Alemanha e França estão dispostas a aceitar críticas", mas é preciso acabar com as promessas que depois não se cumprem, comentou Sarkozy numa aparente alusão ao fracasso da Estratégia de Lisboa para transformar a UE na economia mais competitiva.

No comunicado distribuído ao término do encontro de Paris, os dois Governos destacaram que o debate institucional na Europa ficou para trás e deve estar concentrado agora em "uma ação concreta ao serviço de seus cidadãos e de suas empresas, preservando o meio ambiente, que é nossa herança comum".

Assim, França e Alemanha defenderam "reforçar a vigilância em matéria de competitividade" com as taxas de câmbio e a zona do euro, além de reafirmarem seu compromisso com o Pacto de Estabilidade e, em particular, com a meta de que o déficit seja inferior a 3% do PIB em 2013.

Paris e Berlim avançaram que continuarão seus esforços para "estabelecer uma regulação financeira internacional robusta e harmonizada para garantir regras do jogo equitativas" na regulamentação e na supervisão.

Sobre política energética e climática, disseram que apoiarão a aplicação do acordo de Copenhague de dezembro, mas que seu objetivo é conseguir um compromisso "global, ambicioso e juridicamente obrigatório".

Sarkozy reconheceu que sua iniciativa de uma taxa de emissão de gás carbono nas fronteiras da UE não seria assumido pela Alemanha porque viria acompanhada por um imposto, mas ressaltou que os dois países "concordam que é preciso um mecanismo para reequilibrar as condições de concorrência".

Ou seja, se buscarão "medidas apropriadas" na UE que evitem o desequilíbrio de concorrência dos produtos importados pela Europa elaborados em países onde haja as mesmas restrições nas emissões poluentes.

No campo da política externa, Merkel e Sarkozy destacaram a necessidade de estabelecer uma aliança com a Rússia, e a chanceler alemã afirmou que "é preciso encerrar a Guerra Fria de uma vez por todas".

Os dois líderes reafirmaram sua vontade de seguir adiante com o programa do avião europeu de transporte militar A400M, e o presidente francês previu que a negociação entre os sete países e a Airbus levará a um acordo "rapidamente".

Sarkozy insistiu em que "não há outros dois países no mundo que possam anunciar tantos projetos" em comum, como os 80 apresentados hoje.

Uma das medidas mais simbólicas no campo institucional será a participação de um representante alemão nos conselhos de ministros do Governo francês nos quais se trate de alguma questão relacionada à Alemanha, e vice-versa. EFE ac/bba

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