Parentes de vítimas do franquismo abrem processo na Argentina

Entidades de direitos humanos e familiares de duas vítimas da ditadura do espanhol Francisco Franco se converteram nesta quarta-feira nos primeiros a abrir um processo judicial na Argentina para que sejam investigados os crimes cometidos na Espanha de 1936 ao fim do regime, em 1977.

iG São Paulo |

O pedido foi feito na Argentina "no exercício da jurisdição universal", buscando esclarecer crimes que "ofendem a humanidade independentemente do lugar onde ocorreram", disse Carlos Slepoy, advogado que apresentou o requerimento.

O documento pede permissão para que um juiz argentino investigue crimes da ditadura de Franco em tribunais federais de Buenos Aires. "A acusação se baseia no crime de genocídio cometido pela ditadura franquista. O período a que se refere o pedido é de 17 de julho de 1936 até 15 de junho de 1977", afirmou.

O espanhol Darío Rivas, de 90 anos, um dos autores da ação, é filho de Severino Rivas, que ao ser executado era prefeito da localidade galega de Castro de Rei, em Lugo.

AP
Espanhol Dario Rivas cumprimenta integrante das Mães da Praça de Maio

Espanhol Dario Rivas cumprimenta integrante das Mães da Praça de Maio


A outra autora da ação é a argentina Inés García Holgado, sobrinha neta de Elías García Holgado, fuzilado no início da guerra civil em 1936 quando era prefeito de Salamanca.

Além deles, também são autores da denúncia organizações de direitos humanos e sindicais, incluindo as Avós da Praça de Maio e a Central de Trabalhadores Argentinos, além da Associação Espanhola pela Memória Histórica.

O advogado Carlos Slepoy explicou que pedirá à Espanha que envie provas e solicitará a várias agências espanholas uma lista de todos os ministros que exerceram mandatos durante a ditadura franquista e os nomes dos comandantes das Forças Armadas, da Guarda Civil e da Polícia Militar que ainda estejam vivos.

"Pensamos que (a resposta da Argentina) tem de ser positiva porque o princípio de jurisdição universal na qual se baseia esse pedido está estabelecido na própria Constituição Argentina", concluiu.

*Com informações da AFP e Reuters

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