Londres, 25 abr (EFE).- Parentes do brasileiro Jean Charles de Menezes assistiram hoje à audiência preliminar da investigação sobre a morte do jovem, morto a tiros em 22 de julho de 2005 por agentes que o confundiram com um terrorista suicida.

A audiência, que também teve a presença de vários advogados, aconteceu no tribunal de Southwark, em Londres, onde em 22 de setembro começará a investigação judicial que deverá esclarecer o caso sobre a morte do brasileiro.

O juiz aposentado Michael Wright será responsável pelas investigações e ouvirá os depoimentos de testemunhas, entre eles os agentes que participaram da operação policial que causou a morte de Jean Charles.

Wright reconheceu hoje que é possível que a audiência tenha que ser adiada, devido à quantidade de documentos que terá que avaliar.

Admitiu que é possível que o tribunal de Southwark não seja o local adequado para a investigação, devido à grande quantidade de representantes legais, parente e jornalistas que estarão na Corte.

Em uma breve declaração hoje na audiência preliminar, Wright disse que a comunicação entre a família do brasileiro e os representantes da Polícia foi "totalmente amistosa".

A família, que quer que os responsáveis pela morte de Jean Charles sejam levados à Justiça, acredita que estas investigações ajudarão a esclarecer definitivamente as circunstâncias da morte do brasileiro.

O advogado que representará os familiares de Jean Charles será Michael Mansfield, o mesmo que trabalhou para o milionário egípcio Mohamed al-Fayed, dono das lojas de departamento Harrods, na investigação sobre a morte da princesa Diana e de Dodi al-Fayed.

A família manifestou a insatisfação pelo fato de nenhum agente ter sido levado à Justiça pela morte do eletricista.

Em novembro de 2007, um tribunal londrino declarou a Polícia Metropolitana de Londres culpada de violar a Lei de Segurança e Higiene no Trabalho, que obriga as forças da ordem a zelar pela segurança de todos, inclusive dos que não são seus empregados.

Entre os assuntos que Wright deverá avaliar, segundo a imprensa britânica, é se aceitará um pedido de 42 agentes - entre eles dois que atiraram contra Jean Charles - de prestar depoimento de forma anônima.

Na manhã de 22 de julho de 2005, os agentes confundiram o brasileiro com Hussain Osman, um dos terroristas que no dia anterior tentaram explodir bombas em três estações do metrô de Londres e em um ônibus urbano.

O brasileiro chegou a receber até oito tiros na estação de Stockwell.

Os ataques fracassados de 21 de julho de 2005 tentaram imitar os cometidos no dia 7 do mesmo mês e ano contra o metrô e um ônibus, que deixaram 56 mortos, entre eles os quatro terroristas suicidas.

EFE vg/an

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