Paramilitares sérvios são condenados por queimar pessoas vivas

Dois paramilitares sérvios da Bósnia foram declarados culpados, nesta segunda-feira, de crimes de guerra, incluindo o de queimar mulheres e crianças vivas, durante a Guerra Civil da Bósnia, na década de 90. Os primos Milan e Sredoje Lukic eram integrantes de um grupo paramilitar conhecido como Águias Brancas e também como Os Vingadores.

BBC Brasil |

Os dois foram acusados de assassinato, perseguição, extermínio e outros crimes contra mais de cem muçulmanos bósnios perto de Visegrad, no leste da Bósnia, entre 1992 e 1994.

Os juízes do tribunal das Nações Unidas em Haia, na Holanda, condenaram Milan Lukic à prisão perpétua e Sredoje a 30 anos de prisão.

"Os crimes cometidos por Milan Lukic e Sredoje Lukic neste caso são caracterizados por uma cruel indiferença em relação à vida humana", afirmou o juiz Patrick Robinson ao ler o veredicto.

De acordo com o juiz, queimar vivos muçulmanos foi extraordinariamente brutal e "exemplifica os piores atos que uma pessoa pode infligir a outras".

Casas incendiadas

Millan Lukic foi considerado culpado de reunir cerca de 130 mulheres, crianças e idosos em duas casas e incendiá-las.

Ele também foi apontado como responsável pelo assassinato de 12 civis muçulmanos e de espancar muçulmanos em um campo de detenção.

Sredoje Lukic foi considerado culpado de cumplicidade e de provocar um dos incêndios em uma das casas.

Os promotores em Haia afirmaram que o grupo paramilitar foi o responsável por uma campanha de limpeza étnica.

De acordo com Geraldine Coughlan, correspondente da BBC em Haia, a defesa pediu a absolvição dos primos alegando inconsistências nas provas apresentadas. Mas a corte considerou confiáveis os depoimentos das vítimas que sobreviveram ao massacre.

Os primos negaram as acusações durante o julgamento, que terminou em maio.

Milan Lukic, de 41 anos, fugiu durante sete anos depois de ser acusado de crimes de guerra. Ele foi preso na Argentina em agosto de 2005 e entregue ao tribunal. Sredoje Lukic, de 48 anos, se entregou às autoridades no mês seguinte.


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