Paramilitares estão mais ativos que as Farc na Colômbia, diz relatório

Um relatório divulgado nesta quarta-feira em Bogotá sugere que os grupos paramilitares de direita estão mais ativos no país do que os rebeldes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Segundo o documento da ONG Corporación Nuevo Arco Íris, os dois grupos estariam se fortalecendo, mas desde 2008 as milícias de direita teriam sido responsáveis por mais ataques do que os rebeldes.

BBC Brasil |

"Desde o início de 2008, as ações unilaterais por ano dos grupos chamados neoparamilitares têm sido maiores do que as realizadas pelas Farc", disse à BBC Mundo Mauricio Romero, diretor do Observatório do Conflito da ONG.

Romero estima que as Farc possuam hoje cerca de 8,5 mil homens armados, o Exército de Libertação Nacional (ELN), 2,2 mil, e as forças paramilitares teriam aproximadamente 11 mil efetivos.

Segurança
O documento sugere que o governo de Álvaro Uribe deve pensar em outras formas, que não a militar, para superar o conflito armado, já que, segundo a ONG, a ofensiva militar contra os rebeldes "parece ter chegado a um limite".

"Parece que a política de segurança democrática chegou a um limite em termos de resultados militares. Daí em diante só existem duas alternativas: ou aprofundamos a guerra ou se escolhe outro caminho como uma saída por via negociada", disse o analista da Nuevo Arco Íris, Ariel Fernando Ávila.

Mauricio Romero sugere que o governo colombiano se equivocou quando enfocou sua política de segurança democrática "somente nas Farc".

"A política tem sido limitada frente à guerrilha pela capacidade de adaptação que demonstraram os rebeldes e tem se demonstrado limitada frente aos grupos neoparamilitares, porque agora há mais presença nas cidades", disse.

Críticas
As conclusões do relatório da ONG Nuevo Arco Íris não são compartilhadas por outros analistas colombianos.

Para Alfredo Rangel, diretor da entidade acadêmica autônoma Fundación Seguridad e Democracia, a ONG responsável pelo documento tem uma leitura "politicamente interessada" sobre o que está acontecendo na Colômbia.

"Não é possível que eles considerem um campo minado como uma ação ofensiva da guerrilha, como é algo tipicamente defensivo. Se o Exército e a polícia não estivessem atrás da guerrilha, os campos minados não explodiriam", afirmou o analista.

Rangel admite que houve um aumento no número de ações guerrilheiras, mas que não são de "grande envergadura" como anteriormente.

Ele também repete o que o governo de Uribe vem dizendo nos últimos anos, que os "paramilitares desapareceram da Colômbia".

"Já não há grupos civis armados combatendo a guerrilha, agora há grupos armados a serviço dos narcotraficantes, que muitas vezes estão aliados à guerrilha", disse.

Claudia López, uma das autoras do relatório, disse que apesar de que o número de paramilitares atuando no país já não chega aos 35 mil em atividade em 2002, eles seguem sendo uma força cujo poder não se pode ser depreciado, porque "possuem muito dinheiro".

* Com informações de Hernando Salazar

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