Paramilitares do norte-irlandês UDA confirmam abandono de armas

Londres, 6 jan (EFE).- A Associação para a Defesa do Ulster (UDA), maior grupo paramilitar protestante na Irlanda do Norte e que em junho do ano passado começou seu processo de desarmamento, confirmou hoje que abandonou todas suas armas.

EFE |

Em um anúncio em Belfast, a UDA - considerada responsável por alguns dos mais sangrentos atentados durante o conflito norte-irlandês - informou que seus arsenais deixaram de ser úteis nas últimas semanas.

Esta ação teve o apoio da Comissão Internacional Independente de Desarmamento (IICD, na sigla em inglês), presidida pelo ex-general canadense aposentado John de Chastelain.

Ao mesmo tempo, a ação foi supervisionada por duas testemunhas independentes, o ex-primaz anglicano Robin Eames e o ex-funcionário público George Quigley.

O anúncio foi feito por Frankie Gallagher, representante político da UDA, do Grupo de Pesquisa Política do Ulster (UPRG, na sigla em inglês), no hotel Stormont, em Belfast.

"Hoje, a liderança da UDA pode confirmar que todos os arsenais que estiveram sob seu controle deixaram de ser úteis. Esta decisão histórica foi tomada como resultado de uma consulta sem precedentes de todas as brigadas (da UDA) nas ilhas britânicas", disse Gallagher.

Após este anúncio, a IICD confirmou também que o processo de desarmamento desse grupo foi completado.

"A IICD confirma que, depois de ter iniciado o processo de desarmamento com a UDA, em junho passado, realizamos um grande ato de desarmamento, no qual armas, munições e artefatos explosivos pertencentes à UDA foram destruídos de acordo com nossas condições", disse um porta-voz da comissão.

"A liderança da UDA nos informou que este armamento representa a totalidade dos que estão sob seu controle", acrescentou.

"A IICD - prosseguiu - lembra as organizações paramilitares que ainda possam ter armas que têm até 9 de fevereiro como prazo para cumprir nosso pedido (de desarmamento)".

O Governo britânico tinha estabelecido o mês de fevereiro para que a UDA abandonasse as armas e evitasse, assim, a abertura de um processo judicial por posse de armamento.

As duas testemunhas independentes também confirmaram o desarmamento da UDA.

"Estamos muito satisfeitos com a oportunidade de estarmos presentes em um momento tão significativo no processo da Irlanda do Norte para o que será um melhor futuro para todo mundo", disseram Eames e Quigley.

"É vital que o que passou seja o fim de um velho capítulo e possa abrir um novo e muito diferente", ressaltaram.

Estima-se que a UDA foi responsável por 400 assassinatos entre 1971 e 2001, como parte de sua campanha para "proteger" as comunidades protestantes frente à atividade do Exército Republicano Irlandês (IRA).

A UDA foi um dos vários grupos paramilitares que declararam cessar-fogo em 1994, ano em que o IRA também anunciou sua primeira trégua (a segunda foi em 1997). EFE vg/sa-an

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