Paramilitar colombiano diz que extradições prejudicam vítimas

Bogotá, 3 ago (EFE).- O paramilitar colombiano conhecido como HH afirmou que com sua extradição e a de outros chefes da extrema-direita armada para os Estados Unidos, as vítimas ficarão sem as verdades.

EFE |

O comandante do Bloco Calima das Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC), cujo verdadeiro nome é Hebert Veloza García, e é conhecido também como "Hernán Hernández" ou "Carepollo", admitiu ter cometido com seus homens mais de três mil assassinatos entre 1994 e 2003, segundo uma entrevista publicada hoje pelo diário "El Espectador".

O chefe paramilitar reconheceu que "o maior dano ao processo de paz" entre as AUC e o Governo do presidente Álvaro Uribe foi "matar Carlos Castaño", fundador e líder máximo desse grupo.

"HH", que aguarda sua extradição para os EUA após ter perdido os benefícios da desmobilização por fugir, admitiu que Castaño previu que todos iriam "terminar na prisão, as autodefesas destruídas, se matando, extraditados".

Ele ressaltou que nos EUA, como aconteceu com outros comandantes extraditados, será difícil estabelecer a verdade.

"Foi impossível. Então acho que a verdade ficará incompleta, sem terminar de contar já que como o senhor sabe, uma guerra tão longa e tão atroz não se conta em um mês ou dois meses. Há gente que diz que a verdade não está sendo contada", disse.

Na mesma entrevista ao jornal colombiano, "HH" confirma as ligações de alguns políticos, militares e policiais com as AUC.

Ele revelou que "há muitos militares que estão incomodados", e relatou como ele tirou de um calabouço de uma brigada duas pessoas que tinham sido detidas pelo Exército na zona de Urabá (noroeste).

Ao ser perguntado como se retira uma pessoa detida de uma instalação militar, respondeu que "com cumplicidade".

"Eu entrei na brigada, tirei as pessoas, as levamos até (o porto de) Buenaventura e sumimos com elas", comentou.

Admitiu que "a infiltração do narcotráfico nas autodefesas" afetou o projeto antisubversivo e reconheceu que as AUC não estavam "preparadas para uma negociação".

Nesse processo, "o Governo buscou o que queria e o alcançou. E nós perdemos. Porque negociamos mal. Porque não assinamos acordos, não fomos muito claros no que ia acontecer (...) E veja como estamos. Uns na prisão, outros extraditados", disse. EFE rrm/bm/rr

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