Paraguaios votam amanhã em um pleito que pode fazer história

ASSUNÇÃO - Os eleitores paraguaios poderão fazer história amanhã caso se confirme as previsões de vitória do ex-bispo Fernando Lugo, da Aliança Patriótica para a Mudança, o que terminaria com 61 anos de Governo do Partido Colorado.

EFE |

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  • Mais de 2,8 milhões de eleitores, entre os mais de seis milhões de paraguaios, foram convocados a participar das quintas eleições gerais livres desde que o ditador Alfredo Stroessner deixou o poder, em 1989.

    A votação acontecerá amanhã entre 7h e 16h local (8h às 17h de Brasília) em 232 distritos do país, que serão vigiados por um reforçado aparato policial e militar, a fim de prevenir eventuais focos de violência.

    O atual presidente paraguaio, Nicanor Duarte, advertiu esta semana sobre a chegada de agitadores do Equador, da Bolívia e da Venezuela, e afirmou que pessoas próximas ao chefe de Estado venezuelano, Hugo Chávez, apóiam o ex-bispo católico Fernando Lugo.

    Os principais candidatos a suceder Duarte são, além de Lugo, a ex-ministra da Educação do atual Governo Blanca Ovelar (Partido Colorado) e o general reformado Lino Oviedo (União Nacional de Cidadãos Éticos), que disputam o segundo lugar nas pesquisas, que há 15 dias não podem ser divulgadas.

    "A Polícia Nacional e as Forças Armadas estarão atentas para preservar a ordem e garantir a participação nas zonas urbanas e rurais do Paraguai", afirmou Duarte, na véspera das votações.

    Segundo o Tribunal Superior de Justiça Eleitoral (TSJE) do Equador, em Assunção e no departamento vizinho de Central, foram registrados 1,1 milhão de eleitores.

    Alto Paraná é o segundo em número de eleitores, com 260 mil, enquanto os de menor peso são Alto Paraguay (7.774) e Boquerón (18.841).

    No Paraguai, onde a participação nas eleições é obrigatória e está prevista multa para quem não cumprir a regra, só se pode votar em território nacional. Por essa razão, nos últimos dias, milhares de paraguaios que moram na Argentina chegaram ao país, na maioria para apoiar o opositor Lugo.

    Analistas e observadores internacionais, entre eles a chefe da missão da Organização dos Estados Americanos (OEA), a ex-chanceler colombiana María Emma Mejía, concordam em que o pleito deve gerar um novo panorama político no país, devido à variedade dos candidatos.

    Em um país onde o poder era tradicionalmente disputado pelo Partido Colorado e pelo Partido Liberal Radical Autêntico (PRLA) - que hoje apóia o ex-bispo -, amanhã 18 partidos e 11 movimentos políticos apresentam listas.

    Vários partidos e a grande maioria dos movimentos apóiam a candidatura de Lugo, que em 11 anos no bispado rural de San Pedro se destacou por seu trabalho a favor dos pobres, o que coloca ele como um dos expoentes da Teologia da Libertação no Paraguai.

    Lugo conseguiu reunir o PLRA, representante tradicional da direita paraguaia, e o esquerdista Movimento Popular Tekojoja na Aliança Patriótica para a Mudança (APC).

    O PLRA, o mais ativo durante a ditadura de Stroessner - por mais de 35 anos à frente do Governo colorado - abdicou de ter um candidato próprio e seu presidente, o médico Luis Federico Franco Gómez, é candidato à Vice-Presidência com Lugo.

    O TSJE deve divulgar os dados preliminares que receberá de todo o país no começo da noite, mas a aliança de Lugo disse hoje que não reconhecerá esses dados.

    A legislação local proíbe a divulgação de pesquisas de boca-de-urna até uma hora depois do fechamento dos colégios. As missões de observadores recomendaram aos candidatos que não se proclamem vencedores e que esperem os resultados preliminares oficiais.

    Os outros candidatos à Presidância são Pedro Fadul, do Partido Pátria Querida (PPQ), segunda força de oposição; Horacio Galeano Perrone, do Movimento Teta Pyahu (MTP); e Julio López, do Partido dos Trabalhadores (PT).

    No pleito, também serão escolhidos os Governos das 17 províncias, 214 cargos de juntas departamentais, 45 senadores, 80 deputados e 18 titulares para o Parlamento do Mercosul, para um mandato de cinco anos.

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