Paraguaios tomam as ruas de Assunção para comemorar vitória de Fernando Lugo

Assunção, 20 abr (EFE).- Dezenas de milhares de pessoas foram neste domingo para as ruas de Assunção para comemorar a vitória do ex-bispo católico Fernando Lugo nas eleições presidenciais, o que representa a queda do Partido Colorado após seis décadas no poder.

EFE |

A sede do Panteão dos Heróis, no centro da capital, se transformou no palco da festa popular convocada pela Aliança Patriótica para a Mudança (APC), que levou Lugo ao poder com os nove partidos políticos que a integram, junto a 20 organizações sociais, camponesas e sindicais.

Caravanas de automóveis, buzinaços, bombas de efeito moral, música e bandeiras com os distintivos e cores dos grupos que compõe a APC, assim como o vermelho, branco e azul da bandeira nacional coroaram o triunfo de Lugo, que renunciou no Natal de 2006 a seu estado clerical para se dedicar à política.

O ex-bispo se comprometeu perante os concorrentes que liderará um Governo que se "vai se caracterizar pela honestidade e não pela corrupção", em indireta alusão aos "colorados", que governam o país de maneira ininterrupta há 61 anos.

"Vocês são os heróis do dia 20 do abril de 2008", disse Lugo, solicitando à população que acompanhe seu mandato.

"Nós faremos a democracia juntos. Viva o Paraguai", gritou o ex-bispo, que no dia 15 de agosto próximo assumirá a Presidência em substituição a Nicanor Duarte.

De acordo com os dados provisórios oficiais do Tribunal Superior de Justiça Eleitoral (TSJE), Lugo obteve 704.966 votos, o que representa 40,82% das cédulas das 13.162 mesas que já foram apuradas.

A candidata do Partido Colorado, Blanca Ovelar, leva 530.552 votos, 30,72%, e o general reformado Lino Oviedo, da União Nacional de Cidadãos Éticos (Unace), 379.571 votos, 21,89% do total.

Ovelar, que foi a última candidata a reconhecer a derrota, disse em entrevista coletiva que com o avanço das projeções do resultado, "a vitória de Fernando Lugo é irreversível".

A candidata do Partido Colorado assegurou também que a derrota de sua legenda não representa o fim de sua vocação para o serviço.

Nicanor Duarte também reconheceu o revés e afirmou que carregará parte da "responsabilidade histórica" da queda do "coloradismo".

O presidente se comprometeu a garantir uma transferência pacífica do poder, "sem derramamento de sangue", em referência ao processo democrático do país após a queda da ditadura de Alfredo Stroessner, no dia 3 de fevereiro de 1989.

Duarte, que lidera a lista de candidatos ao Senado do Partido Colorado, disse que será um "crítico tenaz" do novo regime na casa legislativa.

O general reformado Lino Oviedo também reconheceu publicamente a vitória de Lugo e assegurou que o apoiará se isso corresponder aos "interesses do povo".

Em termos similares se expressou o empresário Pedro Fadul, candidato presidencial do Partido Pátria Querida (PPQ).

A chefe da missão de observadores da Organização dos Estados Americanos (OEA) e ex-chanceler da Colômbia, María Emma Mejía, destacou a alta participação do eleitorado paraguaio e considerou que a população deu hoje "uma lição de civismo".

Em sintonia, o ex-presidente colombiano, Andrés Pastrana, que liderou um grupo de observadores da Fundação Internacional para Sistemas Eleitorais (IFES, na sigla em inglês), qualificou as eleições como uma "uma grande festa democrática".

"As mudanças começam nas urnas; é o início de uma nova etapa de consolidação da democracia que está sendo dada na América Latina", ressaltou Pastrana. EFE rg/ma

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