Paraguaios têm dois dias para decidir, após meses de uma dura campanha

Por Jesús A, Rey Assunção, 18 abr (EFE).- Os paraguaios indecisos têm dois dias para escolher em quem votarão nas eleições gerais de domingo após uma longa e complicada campanha, que começou no final de 2007 com as primárias dos partidos políticos.

EFE |

Nos últimos dias, a árdua campanha, especialmente para a eleição do próximo presidente do país que governará nos próximos cinco anos, foi radicalizada pelos duros ataques ao favorito nas pesquisas, o ex-bispo Fernando Lugo.

Lugo conseguiu reunir em torno de sua candidatura grupos de ideologias tão díspares como o centenário Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA), de centro-direita, o minoritário Partido Movimento ao Socialismo (P-MAS) para tentar pôr fim aos 61 anos de poder do Partido Colorado.

No domingo será revelado se "a campanha suja" que, segundo Lugo, o Governo, a candidata governista Blanca Ovelar e o general reformado Lino Oviedo desencadearam contra ele, teve efeito entre os quase 2,9 milhões de eleitores paraguaios de uma população de seis milhões.

As pesquisas, cuja divulgação está proibida a partir de 15 dias antes do pleito, concediam uma vantagem ao candidato da Aliança Patriótica para a Mudança (APC) de entre seis e 11 pontos, sobre o segundo colocado, disputado por Ovelar e Oviedo, um ex-governista que lidera a União Nacional de Cidadãos Éticos (Unace).

Oviedo, que foi condenado a dez anos de prisão por um levante em 1996 e que foi absolvido pelo Supremo em outubro passado, acusou Lugo, em sua propaganda e em seus discursos, de vinculação com o grupo de extrema esquerda que seqüestrou e assassinou Cecilia Cubas, filha do ex-presidente Raúl Cubas.

Além disso, o general reformado disse que o candidato do APC se assemelha aos Governos da Venezuela, Equador e Bolívia, enquanto o próprio presidente do país, Nicanor Duarte, insistiu hoje que "setores do Governo (venezuelano) estariam acompanhando outras propostas eleitorais".

Nesta mesma semana, Duarte denunciou, sem apresentar provas, que se Ovelar ganhar no domingo, agitadores bolivianos, equatorianos e venezuelanos provocarão uma onda de violência no país, porque a oposição não reconhecerá sua derrota.

No entanto, o chefe de Estado assegurou na entrevista coletiva de hoje que "a Polícia Nacional e as Forças Armadas, em um segundo nível, estarão atentas para preservar a ordem e garantir os espaços de participação nas zonas urbanas do Paraguai".

Também garantiu o apoio aos fiscais e juízes eleitorais "nos lugares aonde são apresentados conflitos".

Sobre os ataques, Lugo se limitou a denunciar que é vítima de uma "campanha suja de injúrias e calúnias" e hoje reiterou para a imprensa estrangeira seu temor de que ocorra uma fraude.

Analistas locais consideram que, pela primeira vez em seis décadas, o Partido Colorado corre um perigo real de perder o poder, mas que também se Ovelar, ex-ministra da Educação, conseguir obter a vitória, a longa transição democrática vivida pelo Paraguai pode chegar a seu fim.

Embora até agora tenham sido realizadas quatro eleições gerais desde o golpe de 3 de fevereiro de 1989 contra o ditador Alfredo Stroessner, Ovelar é a primeira mulher que se candidata ao cargo, sem ser uma dirigente de peso do partido.

A transparência do processo será vigiada por observadores da Organização dos Estados Americanos (OEA), com a ex-chanceler da Colômbia María Emma Mejía dirigindo a missão.

Outro colombiano, o ex-presidente Andrés Pastrana, lidera a missão de observação da Fundação Internacional para Sistemas Eleitorais (IFES), e além disso haverá observadores de dois organismos privados. EFE ja/bf/fb

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