Paraguaios julgam gestão de Lugo regular, mas mantêm esperança

Ricardo Grance. Assunção, 23 nov (EFE).- O presidente do Paraguai, Fernando Lugo, completa hoje seus primeiros 100 dias no poder sem grandes avanços em suas promessas de mudança, mas os paraguaios, que qualificam sua gestão como regular, mantêm a esperança em seu Governo.

EFE |

O ex-bispo assumiu a Presidência em 15 de agosto após uma vitória histórica à frente da Aliança Patriótica para a Mudança (APC) nas eleições gerais de 20 de abril, que encerraram seis décadas de poder absoluto do Partido Colorado.

Uma pesquisa publicada hoje pelo jornal de Assunção "La Nación" revela que a gestão de Lugo é qualificada como "regular" por 47,9% dos paraguaios, enquanto outra enquete publicada no "Última Hora" afirma que essa é a opinião de 46,2% da população.

Em contrapartida, o jornal "ABC Color" destacou hoje uma pesquisa que revela que 60,1% dos paraguaios aprovam as políticas empreendidas pelo chefe de Estado.

Os primeiros 100 dias de administração do presidente paraguaio mostraram que suas metas "ainda não estão claras porque há muita improvisação" em sua administração, disse à Agência Efe o analista Alfredo Boccia.

Ele acrescentou que a "lentidão" na aplicação de políticas de renovação "se choca com as expectativas de mudança que se tinha gerado na população".

A chegada de Lugo ao poder não só marcou o final de mais de seis décadas de hegemonia do Partido Colorado, mas a eleição para a Presidência do primeiro ex-bispo católico, que renunciou a seu estado clerical em 2005 para se dedicar à política.

Boccia acrescentou que "dá a impressão de que Lugo tem como prioridade a estabilidade e a governabilidade nestes primeiros meses".

Por sua vez, o ex-senador e também analista Gonzalo Quintana, disse que "o presidente tem um projeto de mudança que não está em condições de impor ou compartilhar com a sociedade, porque considera que não está receptiva ou madura para isso".

O chefe de Estado, que teve contato com a Teologia da Libertação quando era bispo, elogiou os Governos de Hugo Chávez na Venezuela, um dos principais promotores do "socialismo do século 21", assim como o de Rafael Correa no Equador e o de Evo Morales na Bolívia.

Em relação ao conflito em seu país gerado no campo por causa das ameaças de ocupações por grupos de autodenominados sem-terra e da reivindicação por maior segurança dos produtores agrícolas, principalmente dos de soja, Lugo decretou a criação da Coordenadora Executiva para a Reforma Agrária.

Essa medida também procura canalizar os pedidos de acesso a terras de grupos de camponeses, aliados a organizações civis que exigem a mudança de autoridades judiciais e da Promotoria, que se manifestaram nas últimas semanas em várias regiões.

Segundo a oposição, essas mobilizações foram motivadas por setores provenientes do próprio Governo.

Nesse sentido, Quintana lembrou que o chefe de Estado "sempre disse que se apoiaria nesses tipos de mobilizações populares quando as instituições constituídas não respondessem às reivindicações".

Por outro lado, o chefe de Estado, que tinha destacado como uma de suas principais promessas eleitorais a luta contra a corrupção, promoveu denúncias contra funcionários da Administração Nacional de Navegação e Portos.

Além disso, denunciou autoridades paraguaias da hidrelétrica paraguaio-brasileira de Itaipu durante o Governo anterior por esse tipo de delito.

Em setembro, Lugo e o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva decretaram a criação de uma comissão binacional para atender às reivindicações do Paraguai.

Assunção exige, entre outras coisas, dispor livremente da parte que lhe corresponde da energia gerada pela hidrelétrica, assim como a modificação do tratado de construção da represa, assinado em 1973, medida a que as autoridades brasileiras se opõem.

Lugo também decretou a partir de 1º de outubro a gratuidade de cirurgias de todo tipo, de terapia intensiva e outras assistências de complexidade em todos os serviços hospitalares públicos do país, uma de suas promessas eleitorais.

Além disso, iniciou com firmeza a renovação da cúpula militar, presidida desde o último dia 19 pelo general Cíbar Benítez, que substituiu Bernardino Soto Estigarribia, como comandante das Forças Armadas.

Essa mudança supôs também a segunda remodelação da cúpula militar feita pelo ex-bispo, que tem como vice-presidente Federico Franco, do Partido Libertar Radical Autêntico, agrupamento de centro-direita e principal aliado do presidente no Parlamento. EFE rg/ab/jp

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