Paraguaios comemoram 20 anos da queda do regime de Stroessner

Assunção, 2 fev (EFE).- Os paraguaios deram início hoje a dois dias de comemorações pelo 20º aniversário da queda do regime de Alfredo Stroessner, que colocou fim a 35 anos de ditadura militar.

EFE |

"Hoje é um dia importante, porque é a primeira celebração que ocorre, desde o fim da ditadura, em um clima de mudança política tangível, real e, sobretudo, promissora", disse o chefe de Estado, Fernando Lugo, durante um dos atos comemorativos realizados em frente à sede do Panteão dos Heróis, em Assunção.

Lugo fez as declarações em alusão à sua chegada ao poder à frente de uma coalizão de amplo espectro ideológico nas eleições de 20 de abril de 2008, o que colocou fim a 61 anos ininterruptos de Governo do Partido Colorado, principal apoio político da ditadura "stronista".

O chefe de Estado e o vice-presidente do país, Federico Franco, depositaram flores no Panteão em homenagem aos protagonistas do golpe e dos desaparecidos e perseguidos durante a ditadura.

"O golpe militar que derrubou Stroessner tem o mérito de constituir a coroação de um processo que produziu desde os alvores desse longo e degradante processo milhares de mártires e heróis que deram a vida ou ficaram para sempre com as sequelas da tortura e da perseguição desde 1954 até 1989", asseverou o chefe de Estado.

Lugo destacou ainda a coragem e a importância da imprensa que denunciou as violações aos direitos humanos nos anos de ditadura.

O presidente também homenageou "os movimentos revolucionários armados, os sindicatos e operários, os estudantes, políticos opositores e intelectuais", assim como os integrantes das Ligas Agrárias Cristãs, vários dos quais, segundo Lugo, foram massacrados pela "fúria intolerável do fascismo 'stronista'".

Por sua parte, o ativista Martín Almada, Prêmio Nobel Alternativo da Paz 2002 e vítima de alguns atos da ditadura de Stroessner, pediu em discurso a desapropriação de todos os bens que seguem em poder de parentes e pessoas ligadas ao ex-ditador para indenizar perseguidos e familiares de desaparecidos.

A Comissão de Verdade e Justiça, encarregada de investigar as violações dos direitos humanos cometidas pelo regime de Stroessner, indicou em sua conclusão, divulgada em 28 de agosto de 2008, que ao menos 59 pessoas foram executadas e outras 336 desapareceram durante a ditadura.

Além disso, a Comissão situou em 128.076 o número de perseguidos a partir de 2.069 testemunhos de sobreviventes e parentes de desaparecidos.

Durante este dia também será realizado um festival, sob o lema "Nossa geração grita ditadura nunca mais", organizado pela Fundação Casa da Juventude e que incluirá a apresentação de vários cantores e de bandas de rock na praça La Democracia, também na capital.

O evento incluirá um comício com representante de vários partidos políticos de esquerda, alguns dos quais fazem parte da Aliança Patriótica para a Mudança (APC), que levou Lugo ao poder.

Por outro lado, na sede do Parlamento será exibido um documentário chamado "Ditadura nunca mais", durante um ato que também incluirá uma homenagem aos militares que lideraram o levante.

Para esta terça-feira também está previsto um ato no Congresso do qual participarão vários dos ex-chefes militares que organizaram o golpe de Estado.

Stroessner foi derrubado por um violento golpe militar liderado pelo consogro, o general Andrés Rodríguez (1923-1997), que assumiu um Governo provisório antes de ser eleito presidente em eleições livres.

O ditador recebeu asilo no Brasil, onde morou até morrer, em agosto de 2006, aos 93 anos.

Rodríguez, que era o homem forte da milícia paraguaia e era investigado pelas autoridades antidrogas dos Estados Unidos, deu continuidade à transição com a convocação de uma Assembleia Constituinte, que, em 1992, promulgou a nova Constituição e a elaboração do Código Eleitoral. EFE rg/db

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