Paraguaio Lugo quer trocar juíza em processo de paternidade

Por Daniela Desantis ASSUNÇÃO (Reuters) - O advogado do presidente do Paraguai Fernando Lugo anunciou nesta quarta-feira que não vai aceitar a juíza responsável por um processo de filiação contra o ex-bispo católico, o que prolongará o caso que desencadeou um escândalo no país.

Reuters |

Marcos Fariña criticou uma decisão da magistrada Deisy Cardozo que obrigaria o presidente a responder perguntas íntimas sobre seu vínculo com a requerente.

A mulher que apresentou a ação judicial, uma humilde vendedora de detergentes de 27 anos, afirma que seu filho de seis anos é fruto de uma relação com o ex-bispo quando ele ainda era membro da Igreja Católica. Ela exige o reconhecimento da paternidade e pede ajuda para criar a criança.

"Estamos analisando a possibilidade de recusá-la (a juíza). Vamos apresentar o pedido amanhã (quinta-feira) ou na sexta-feira", disse Fariña à Reuters em uma entrevista por telefone.

O advogado afirmou que entrará com um recurso contra a determinação da magistrada de convocar o presidente para depor no dia 1o de junho, e questionou a decisão dela de escolher para o exame genético um laboratório de Ciudad del Este que somente colhe as amostras e as envia para um instituto de Curitiba.

"Nós nem sequer propusemos um laboratório para evitar que digam que estamos querendo coagir ou pressionar. A única coisa que pedimos é que seja um laboratório nacional, mas nem sequer isto nos foi concedido", disse Fariña.

O advogado, que se reuniu com a requerente Benigna Leguizamón em abril e propôs um exame genético extrajudicial que ela recusou, disse que a mulher estava sendo manipulada.

A ação judicial foi apresentada dias após Lugo ter reconhecido a paternidade de outro menino, de dois anos, concebido quando ainda era bispo, uma revelação que prejudicou sua popularidade e sua imagem como governante honesto.

O presidente, cuja popularidade ronda os 50 por cento segundo as últimas pesquisas posteriores ao escândalo, assegurou que acataria qualquer resolução da Justiça.

Uma terceira mulher de 39 anos afirmou ter tido uma relação com o ex-sacerdote pouco depois que este largara a batina para dedicar-se à política, do qual nasceu um menino que hoje tem pouco mais de um ano.

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