Paraguai volta a pedir revisão de Itaipu

Madri, 3 dez (EFE).- O diretor paraguaio da central hidrelétrica de Itaipu, Carlos Mateo Balmelli, disse hoje que defende a aplicação do tratado de divisão da usina com o Brasil, mas buscou o oposto, ao pedir sua revisão, e ainda acusou os brasileiros de paternalismo.

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Dirigindo a metade paraguaia de Itaipu desde julho, Balmelli disse que o Brasil "deve superar sua 'atitude paternalista' e permitir ao Paraguai dispor livremente do excedente de energia que lhe corresponde".

Ele também afirmou que "(os paraguaios) pedimos a aplicação do tratado" - o que, entretanto, determina o contrário de seu pedido por "dispor livremente do excedente", pois estabelece que a energia não utilizada por Brasil ou Paraguai - que têm direito, cada um, a 50% de Itaipu - deve ser vendida ao sócio a preço de custo.

A dúbia posição paraguaia foi exposta por ele hoje em Madri em discurso na Tribuna Ibero-Americana, fórum organizado pela Casa da América e a Agência EFE, com a colaboração da rede estatal de televisão da Espanha "TVE".

Na fronteira entre Brasil e Paraguai, pelo Rio Paraná, Itaipu é a maior central hidrelétrica do mundo e administrada de maneira conjunta por ambos os países através deste Tratado Binacional, assinado em 1973, cujas regras o presidente paraguaio Fernando Lugo, quer mudar.

Neste sentido, o diretor de Itaipu manifestou em Madri o desejo de alterar o acordo e poder vender energia excedente para outros países ou para o próprio Brasil.

"Se o Brasil não quer modificar o tratado para que o Paraguai tenha livre disponibilidade e vender para outros países, buscamos livre disponibilidade no mercado brasileiro", disse Balmelli, negando que esteja pedindo "caridade" ou "mendigando".

Para ele, o Brasil está "violando" o tratado e "de maneira unilateral, abusando do direito", ao aplicar suas regras, tais como foram estabelecidas, no entanto, pelos dois países. EFE bal/jp

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