Paraguai vai às urnas hoje e testa Partido Colorado

Assunção - Os paraguaios escolhem um novo presidente neste domingo, e a eleição será o primeiro grande desafio à primazia do Partido Colorado, no poder há mais de 60 anos.

Reuters |

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    A maioria das pesquisas de intenção de voto sugere que o ex-bispo católico Fernando Lugo passará à frente da candidata colorada, Blanca Ovelar, a primeira mulher a candidatar-se à presidência, e do general da reserva Lino Oviedo. Mas muitos analistas dizem que a disputa é apertada demais para que se possam fazer previsões certeiras.

    Dezenas de observadores internacionais estão acompanhando a eleição para verificar quaisquer sinais de fraude no pleito do Paraguai, conhecido por apresentar corrupção e contrabando em grande escala.

    O candidato que receber mais votos ganhará. Não haverá segundo turno.

    'Vamos acompanhar cada urna para garantir que não ocorram irregularidades', disse no sábado uma participante da equipe eleitoral de Lugo, numa escola que servirá de local de voto.

    Fernando Lugo lidera uma coalizão de centro-esquerda que inclui sindicatos, agrupamentos de camponeses e o Partido Liberal. Ele vem mantendo distância dos líderes esquerdistas sul-americanos mais radicais, como o venezuelano Hugo Chávez e o boliviano Evo Morales.

    O Partido Colorado, que apoiou o general Alfredo Stroessner durante os 35 anos de sua ditadura, até ajudar a afastá-lo em 1989, é tradicionalmente de centro-direita, e o partido Unace (União Nacional dos Cidadãos Éticos), de Lino Oviedo, representa a direita paraguaia.

    A segurança nas urnas, que ficarão abertas das 7h00 às 17h00 locais, está sendo garantida pelo Exército e cerca de 10 mil policiais.

    As chuvas fortes que caíram na manhã do sábado e transformaram estradas de terra em lamaçais levaram ao receio de que os eleitores em locais isolados teriam dificuldade em chegar aos locais de voto.

    Blanca Ovelar e seu mentor político, o presidente Nicanor Duarte Frutos, rejeitam a possibilidade de fraude eleitoral.

    'Vamos aceitar os resultados da eleição, sejam quais forem, e exigimos a mesma postura dos outros candidatos', disse Ovelar a jornalistas.

    O Paraguai tem cerca de 2,8 milhões de eleitores cadastrados e uma população total de 5,6 milhões. Além do presidente, serão eleitos hoje os deputados, senadores e governadores das províncias.

    Os analistas políticos prevêem que nenhum partido conquiste uma maioria no Congresso, o que obrigará o novo governo, seja qual for, a formar alianças.

    País sem saída para o mar, o Paraguai depende economicamente de suas exportações agrícolas e de hidroeletricidade.

    Por Daniela Desantis (Reuters)

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