Paraguai se aproxima da Venezuela, mas deve se entender com o Brasil

Jesús A. Rey Assunção, 15 ago (EFE).

EFE |

- A chegada de Fernando Lugo à Presidência do Paraguai parece reforçar o modelo de integração promovido pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, apesar de o ex-bispo ter a obrigação de se entender com grandes vizinhos como Brasil e Argentina.

Lugo, que tomou posse hoje, já disse que imporá uma nova configuração nas relações internacionais de seu país para romper a tradicional dependência política e econômica para com Brasil e Argentina.

Recentemente, o novo presidente paraguaio declarou que o Paraguai não pode se contentar com as "políticas pendulares com Brasil e Argentina" e destacou que não tem "medo dos países chamados de 'eixo do mal', pois não se devem identificar as autoridades com os países".

Desde sua vitória, em 20 de abril, Lugo já visitou os presidentes de Argentina, Bolívia, Chile, Venezuela, Uruguai, Equador e Nicarágua, mas não foi a Brasília.

Justamente as relações internacionais foram o motivo da primeira crise do futuro Governo paraguaio, após a recusa de assumir o Ministério das Relações Exteriores da historiadora e socióloga Milda Rivarola e sua substituição pelo embaixador do Paraguai no Líbano, Alejandro Hamed Franco.

Lugo insistiu na designação de Hamed, conhecido defensor da causa palestina, apesar da oposição dos Estados Unidos e de grande parte do Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA), segunda força eleitoral do país e sua principal base parlamentar.

No entanto, o próximo chanceler declarou que não acredita que possa haver "uma mudança radical na política externa de amizade e cooperação" que o Paraguai tradicionalmente tem com os EUA. "Eu diria que é um pouco infundado", declarou.

Historiador e especialista no Oriente Médio, o futuro ministro reconhece que conhece pouco a região, especialmente o processo do Mercosul, bloco formado por Paraguai, Brasil, Argentina e Uruguai.

Sobre o Mercosul, Lugo afirmou que deve ter um caráter mais social e não apenas comercial e, em entrevista à Agência Efe, defendeu reforçar o processo de integração latino-americana.

"A integração regional em primeiro lugar. Porém, não deve ficar nisto, mas deve abrir as portas para uma relação mundial", declarou Lugo, que já antecipou que também analisará a possibilidade de estabelecer relações com a China.

No entanto, a primeira tarefa do próximo Governo é negociar com o Brasil sobre a hidrelétrica de Itaipu, a maior do mundo em funcionamento e que os dois países compartilham no rio Paraná.

Lugo garantiu à Efe que seu país tem argumentos para reivindicar maiores lucros de Itaipu, solicitação sobre a qual insistirá com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Assunção durante sua visita para a posse.

Apesar de o Palácio do Planalto ter mostrado sua vontade de falar sobre Itaipu - embora se negue a revisar o tratado da hidrelétrica -, as negociações serão longas tanto no âmbito político quanto no técnico.

Entre outras coisas, o Paraguai reivindica um preço mais alto pela energia que não usa e que cede a preço de custo ao Brasil, que no ano passado pagou US$ 307 milhões pela cessão e por royalties.

Também com a Argentina, o novo Governo têm reivindicações sobre a hidrelétrica de Yacyretá, especialmente pelo aumento da cota do reservatório, que causou inundações na cidade paraguaia da Encarnación.

Além disso, as críticas ao Brasil e à Argentina são recorrentes pelos impedimentos aos produtos paraguaios exportados a outros países, embora os Governos vizinhos tenham expressado vontade política de ajudar o futuro Executivo.

Não apenas Brasil e Argentina, mas Chávez também afirmou que seu Governo "quer ajudar o Paraguai" e prepara um novo acordo entre as petrolíferas dos dois países para garantir o fornecimento de gasóleo por causa dos recorrentes desabastecimentos deste combustível, que move 80% do parque automotor paraguaio. EFE ja/wr/fal

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