Paraguai prevê saída política para diferenças sobre Itaipu

Assunção, 21 mai (EFE).- O vice-chanceler paraguaio, Jorge Lara Castro, previu hoje uma saída política para as diferenças com o Brasil sobre a represa de Itaipu e considerou que as exigências de seu país têm o peso que se esperava.

EFE |

Durante um café-da-manhã de trabalho do chanceler Héctor Lacognata com jornalistas, o vice-ministro assegurou que Itaipu, a maior represa do mundo em funcionamento e que fica sobre o rio Paraná, "foi assunto de fundamental importância na agenda eleitoral do presidente (Fernando) Lugo".

Segundo ele, "é preciso considerar que Itaipu é algo mais que uma hidrelétrica".

As diferenças entre as posturas dos países impediram a assinatura de vários acordos de cooperação entre Lugo e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a visita oficial que o líder paraguaio fez a Brasília, em 8 de maio passado.

"Há uma parte da equipe do presidente Lula que está interessada em resolver os problemas e outra tem outro enfoque, então há tensões também no Brasil para chegar a um acordo que satisfaça a ambas as partes", apontou o vice-ministro, que considerou que, apesar dos diversos interesses em questão, a decisão final "vai ser política".

O Paraguai colocou uma reivindicação de seis pontos, que inclui a revisão do contrato de construção da represa, para vender a energia que tem direito, mas não usa, a preço de mercado.

De acordo com o tratado, o Brasil recebe a energia que o Paraguai não consome a preço de custo.

"Acho que o Brasil está aprendendo (a saber) que somos nós (...), está passando por um processo de aprendizagem. O Paraguai não pode renunciar a sua soberania e muito menos se resignar a ser um simples enclave na região", afirmou Lara Castro.

As autoridades de Assunção insistem na livre disponibilidade de sua parte da energia, já que alguns países da região como Chile e Uruguai expressaram seu interesse na eletricidade do país, que também controla a hidrelétrica de Yacyretá, ainda que de forma conjunta com a Argentina.

"O que tentamos fazer em Itaipu é recuperar a soberania para ter um Estado forte, com capacidade de decisão. Exigimos 50% do que nos corresponde da energia", enfatizou o vice-ministro. EFE lb/rr

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