Paraguai negocia acordo para exportar energia ao Uruguai

MONTEVIDÉU (Reuters) - O futuro governo do Paraguai, que tomará posse em agosto, deve negociar com o Uruguai a venda de energia produzida na hidrelétrica de Yacyretá, selando eventualmente um acordo que precisará ser ratificado com antecedência pela Argentina, co-proprietária da represa com os paraguaios, afirmaram na quinta-feira autoridades. Nesse mesmo dia, o Uruguai tinha manifestado seu interesse em comprar energia do Paraguai em meio aos esforços para evitar uma crise de abastecimento prevista para ocorrer nos próximos meses.

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O novo governo paraguaio deve consultar a Argentina, com a qual divide a represa e que enfrenta uma crise de energia, sobre a possibilidade de exportar eletricidade para o Uruguai.

'O tema da energia é um tema obrigatório em qualquer negociação. Esse tema não pode ficar ausente. Queremos uma integração energética e o Uruguai não pode ficar de lado', disse a jornalistas o presidente eleito do Paraguai, Fernando Lugo, após reunir-se em Montevidéu com o mandatário uruguaio, Tabaré Vásquez.

O assessor de Lugo para a área de energia, Ricardo Canese, explicou que faltava acertar com o governo argentino apenas os detalhes da exportação, que seria de cerca de 300 megawatts. No entanto, Canese não forneceu maiores detalhes sobre o acordo.

'A partir do dia 15 de agosto, queremos ter a liberdade de poder exportar. A partir do interesse do Uruguai, vamos conversar com a Argentina. Tecnicamente, isso é factível', disse o assessor.

'No meu modo de ver, tampouco há problemas jurídicos. Tudo se resume a ajustar alguns detalhes.'

ITAIPU

O governo eleito do Paraguai deseja, além disso, que o Brasil revise o tratado hidrelétrico de Itaipu de modo a subir o preço cobrado pela energia vendida aos brasileiros. O valor atual é considerado baixo demais pelos paraguaios.

Segundo Canese, seu país prevê uma negociação rápida com o Brasil a fim de que, depois da revisão do tratado, o Paraguai possa receber cerca de 2 bilhões de dólares pela venda de eletricidade a seu vizinho.

'Obviamente, isso levará um tempo. Entraremos no governo no dia 15 de agosto, e não vamos poder assinar isso no dia 15 de agosto. Sou realista. Sabemos que teremos de aguardar alguns meses para falar, para negociar, para chegar a um acordo. No entanto, de nossa parte, queremos concluir esse processo o quanto antes', afirmou Canese à Reuters.

O tratado de Itaipu determina que cada um dos países é dono de 50 por cento da energia produzida e que o Paraguai deve vender o montante que não utiliza ao Brasil, vedando a oferta do produto a terceiros.

Lugo reuniu-se com Vásquez durante uma visita oficial ao Uruguai que termina na quinta-feira, quando o presidente eleito parte rumo ao território brasileiro a fim de participar, na sexta-feira, da cúpula da União das Nações Sul-Americanas (Unasul).

(Reportagem de Patricia Avila)

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