Paraguai inicia recuperação de terras para reforma agrária

ASSUNÇÃO (Reuters) - O presidente do Paraguai, Fernando Lugo, disse na terça-feira que seu governo iniciou o processo de recuperação de terras fiscais entregues de maneira irregular nas últimas décadas para destiná-las à reforma agrária, exigida por organizações de camponeses. A medida pode afetar agricultores brasileiros no país. A medida busca diminuir a tensão no campo, no momento em que grupos de lavradores que reclamam por terras ameaçam ocupar dezenas de fazendas em diversos pontos do país, cuja economia se sustenta basicamente pela exportação de soja e carne.

Reuters |

O mandatário disse, em uma coletiva de imprensa, que o Indert (Instituto Nacional de Desenvolvimento Rural e da Terra) verificará nos próximos meses todas as propriedades rurais entregues pelo Estado a camponeses. O objetivo da medida é constatar que as mesmas não tenham sido vendidas pelos lavradores, o que seria proibido por lei.

"O Indert realiza a primeira recuperação articulada de lotes coloniais dedicados à reforma agrária que economizará ao erário público um investimento que de outra maneira deveria implementar-se via compra direta ou expropriação de latifúndio", disse Lugo a jornalistas.

As inspeções podem afetar cidadãos estrangeiros, em grande parte brasileiros, que haviam comprado terras de colônias criadas pelo Indert após janeiro de 2002, data desde a qual a legislação do país os exclui como beneficiários da reforma agrária, afim de estabelecer a validade dos títulos e a extensão real de muitas propriedades.

Além disso, o presidente pediu calma a todos os setores rurais, questionou aos dirigentes que recorrem à violência e ratificou sua promessa eleitoral de iniciar uma reforma agrária integral.

"Estamos avançando a passo firme na busca de um pacto social rural cuja mesa de diálogo esperamos ter instalada em breve", disse o mandatário.

Horas antes, cerca de cem lavradores ocuparam uma fazenda de mais de mil hectares na localidade de General Rasquín, no departamento de San Pedro, a 360 quilômetros ao norte de Assunção, e retiveram várias máquinas agrícolas.

Organizações de camponeses de San Pedro anunciaram que invadirão uma dúzia de propriedades de agricultores brasileiros, a quem acusam de não ter os documentos em dia, antes do final de semana, caso o governo não lhes garanta acesso a terras.

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