Paraguai espera entrada da Venezuela no Mercosul este semestre

ASSUNÇÃO (Reuters) - O governo paraguaio espera a entrada na Venezuela como membro pleno do Mercosul este semestre, apesar das objeções à sua aprovação no Congresso local, disse nesta sexta-feira a chancelaria do país. O processo de adesão da Venezuela ao bloco integrado por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai foi iniciado em 2006 e ainda necessita da aprovação dos congressos paraguaio e brasileiro.

Reuters |

No Brasil, o projeto foi aprovado pela Câmara dos Deputados e está sendo analisado pelas comissões do Senado; enquanto que no Paraguai está na Comissão de Relações Exteriores da câmara alta à espera de um parecer antes de sua votação em ambos os plenários.

Esta semana, um legislador da coalizão governista no Paraguai disse que rejeitaria a iniciativa e que os votos pela sua aceitação são insuficientes. Mas o chanceler Alejandro Hamed sinalizou que esperava ver o projeto aprovado antes de julho.

"Os votos mudam. Agora existe um avanço na situação parlamentar no Brasil e seria uma situação muito desagradável para nós permanecer como os únicos", disse o ministro paraguaio em encontro com jornalistas.

"Para nós, é conveniente a entrada (da Venezuela) e vamos continuar com nosso trabalho. Temos a esperança de que isso possa ser alterado e aprovado durante a nossa Presidência (do Mercosul)", acrescentou o funcionário.

O Paraguai, que tem laços estreitos com a Venezuela desde a chegada do presidente Fernando Lugo, presidirá o Mercosul até 4 de julho, data prevista para a realização de um encontro de presidentes.

O governo de Lugo considera que Caracas representa um ponto de equilíbrio para as economias menores do pacto --Paraguai e Uruguai-- sobre os membros maiores, Argentina e Brasil.

Alguns legisladores que questionam o ingresso da Venezuela alegam que o presidente Hugo Chávez não cumpre uma cláusula que condiciona a participação do bloco ao pleno respeito ao sistema democrático, enquanto outros acreditam que seja necessário concluir as negociações técnicas antes de sua admissão.

Hamed disse que durante uma recente visita a Caracas, na semana passada, assinou um acordo que aumenta em 4.000 toneladas anuais a cota de 11.000 toneladas de carne bovina que o Paraguai exporta ao país com benefícios tarifários.

"Com isso, a Venezuela passa a ser o quarto maior comprador de carne paraguaia", depois da Rússia, Chile e Brasil, disse o ministro.

(Reportagem de Daniel Desantis)

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