Paraguai e Uruguai são contra salvaguardas especiais propostas na OMC

Genebra, 21 jul (EFE).- O mecanismo de salvaguardas especiais agrícolas negociado na Rodada de Doha podem colocar em risco a liberalização comercial perseguida, segundo afirma um documento que circulou hoje na Organização Mundial do Comércio (OMC) por Paraguai e Uruguai.

EFE |

Ministros de 30 países se reúnem hoje na sede da OMC para tentarem conciliar suas posições e evitar o fracasso da Rodada de Doha.

As tarifas extraordinárias que poderiam ser aplicadas por causa deste mecanismo "não apenas colocam em risco a liberalização, mas constituem um retrocesso frente ao que o sistema de comércio multilateral já conquistou", declarou um diplomata uruguaio.

Acrescentou que isto "diminui a ambição em matéria agrícola e não pode permanecer no texto".

A agricultura é um dos principais assuntos desta negociação, e o texto negociado inclui um mecanismo que permitiria que os países em desenvolvimento aumentassem imediatamente suas tarifas agrícolas em caso de alta abrupta das importações ou de uma grande diminuição de preços no mercado internacional.

Sobre isto, Paraguai e Uruguai reconheceram que os países em desenvolvimento devem ter a possibilidade de adotar medidas defensivas nestes casos, mas destacaram que as condições para aplicá-las são inadequadas.

Segundo o documento, os níveis acima dos quais os países em desenvolvimento poderiam aplicar a salvaguarda especial são muito baixos e poderiam afetar o crescimento normal das exportações.

Como exemplo, o documento afirma que o comércio de soja aumentou a ritmo anualizado de 48% na China, o de maçãs a 75% na Índia e o de carne bovina fresca a 113% na Venezuela, segundo informações disponíveis nos últimos anos.

As delegações do Uruguai e do Paraguai garantem que a este ritmo de crescimento, estes países poderiam aplicar salvaguardas especiais para frear as importações destes produtos, quando na realidade o comércio agrícola está aumentando naturalmente ano após ano, principalmente nas economias emergentes.

Além disso, os dois países sul-americanos - cuja posição é compartilhada por outros em desenvolvimento - criticam as altas tarifas que a atual proposta permitiria aplicar, já que "tornariam proibitivas as exportações".

Sobre este assunto e em nome dos países em desenvolvimento do G33, a ministra do Comércio da Indonésia, Mari Pangestu, expressou uma opinião totalmente oposta à de Paraguai e Uruguai, ao afirmar que este mecanismo é fundamental e a maneira de aplicá-lo deve ser simples e rápida. EFE is/wr/fal

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