Paraguai e Bolívia estreitam laços após incidente em fronteira

Por Daniela Desantis ASSUNÇÃO (Reuters) - Os presidentes do Paraguai e da Bolívia se reuniram nesta sexta-feira em uma região limítrofe para comemorar o fim de uma guerra que os dois países enfrentaram por mais de sete décadas e estreitar laços dias depois de um incidente na fronteira.

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O mandatário do Paraguai, Fernando Lugo, recebeu seu colega, Evo Morales, em Mariscal Estigarribia, localidade situada a cerca de 500 quilômetros ao noroeste de Assunção, em Chaco, uma região inóspita e pouco povoada, onde ocorreu o conflito bélico entre 1932 e 1935.

"Não existe hipótese de conflito possível entre Paraguai e Bolívia, e a soberania de nossos povos não está ameaçada por interesses estrangeiros ou por outros países ou outras forças multinacionais que nos enfrentaram no passado", disse Lugo, socialista muito mais moderado que seu colega boliviano.

"Hoje (sexta-feira) estamos juntos em tempos de paz", acrescentou durante o ato em que ex-combatentes foram condecorados.

Morales defendeu que os países latino-americanos não voltem a permitir que potências transnacionais os enfrentem, em alusão à disputa de duas empresas petroleiras pelo território chaquenho, rico em hidrocarbonetos, que é causa de debate.

"Esperemos que nunca mais o império venha enfrentar nossos povos, a saquear nossos recursos. Esperemos que nunca mais haja um império que explore os latino-americanos", disse.

Os governantes se encontraram dias depois de um mal-entendido após uma incursão irregular de forças de segurança bolivianas em território paraguaio para capturar um homem acusado de cometer um roubo em uma fazenda da localidade de Villamontes.

A Bolívia disse imediatamente que se tratava de civis armados que se dedicavam a cometer ilícitos na zona, mas logo reconheceu o erro e pediu desculpas ao país vizinho com o qual compartilha uma extensa fronteira seca e muito vulnerável.

O Paraguai aceitou as desculpas dando por encerrada a questão, mas a reação do governo paraguaio foi criticada pela oposição política que esperava uma reclamação mais acentuada.

Os presidentes, em troca, assumiram a tarefa de construir novos e mais fortes laços.

"Devemos nos unir para trabalharmos juntos e nós, bolivianos, uruguaios, paraguaios, os pequenos países também temos o direito de desenvolver nossas (relações) bilaterais, temos pequenas propostas para atender as pessoas mais desprovidas", disse Morales, que chegou ao Paraguai vindo de Cuba.

O conflito fronteiriço, que os países enfrentaram na primeira metade do século 20 e que deixou cerca de 90 mil mortos, dos dois países, se encerrou formalmente no final de abril com a assinatura em Buenos Aires de um documento que completou o tratado de paz.

(Reportagem de Daniela Desantis)

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